Scientific American
Capa de uma edição de 1905 | |
| Categoria | Divulgação científica |
|---|---|
| Frequência | Mensal |
| Editora | LabX Media Group [en] |
| Fundação | 1845 |
| Primeira edição | 28 de agosto de 1845 |
| País | Estados Unidos |
| Idioma | Inglês |
| Sítio | scientificamerican.com |
| ISSN | 0036-8733 |
| OCLC | 796985030 |


Scientific American, abreviada informalmente como SciAm ou, às vezes, SA, é uma revista de divulgação científica dos Estados Unidos. Cientistas como Albert Einstein e Nikola Tesla escreveram artigos para a publicação, que, desde sua fundação, publicou trabalhos de mais de 150 ganhadores do Prêmio Nobel.[2][3]
Publicada desde 1845, é a revista com o mais longo período de publicação ininterrupta nos Estados Unidos.[4][5] A Scientific American pertenceu à Springer Nature até junho de 2026, quando foi vendida ao LabX Media Group [en].[6][7]
História
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A Scientific American foi fundada pelo inventor e editor Rufus Porter [en] em 1845,[9] como um jornal semanal de quatro páginas. A primeira edição desse jornal nova-iorquino de grande formato saiu em 28 de agosto de 1845.[10]
Nos primeiros anos, a publicação dedicava boa parte de seu espaço às atividades do Escritório de Patentes dos Estados Unidos [en]. Também trazia notícias sobre invenções, como máquinas de moto-contínuo, um dispositivo de Abraham Lincoln para fazer embarcações flutuarem, de 1860, e a junta universal, presente em quase todos os automóveis fabricados. A revista tem uma seção que recupera trechos de artigos publicados 50, 100 e 150 anos antes. Nela entram episódios curiosos, teorias equivocadas e avanços da ciência e da tecnologia. A publicação, que começou como um semanário em agosto de 1845, tornou-se mensal em novembro de 1921.[11]
Porter vendeu a publicação a Alfred Ely Beach, filho do empresário da imprensa Moses Yale Beach [en], e a Orson Desaix Munn [en], apenas dez meses depois de fundá-la. Entre os editores e coproprietários da família Yale [en] estavam Frederick C. Beach [en] e seu filho, Stanley Yale Beach [en]. Da família Munn, participaram Charles Allen Munn [en] e seu sobrinho, Orson Desaix Munn II [en].[12] A revista pertenceu a essas famílias por meio da Munn & Company até 1948.[9] Sob a direção de Orson Desaix Munn III, neto de Orson Munn, tornou-se uma publicação voltada a projetos de oficina, semelhante à Popular Science do século XX.
Nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, a revista entrou em declínio. Em 1948, três sócios que planejavam lançar uma revista de divulgação científica chamada The Sciences compraram os ativos da antiga Scientific American e usaram seu nome no projeto que haviam preparado para a nova publicação. O editor responsável pela publicação, Gerard Piel [en], o editor Dennis Flanagan e o gerente-geral Donald H. Miller Jr. criaram, na prática, uma nova revista.[13] Miller se aposentou em 1979. Flanagan e Piel se aposentaram em 1984, quando Jonathan, filho de Gerard Piel, assumiu a presidência e a edição. A circulação havia se multiplicado por quinze desde 1948.
Em 1986, a revista foi vendida ao grupo alemão Grupo Editorial Holtzbrinck [en], ao qual pertenceu até a fusão que criou a Springer Nature. No outono de 2008, no hemisfério norte, a Scientific American passou ao controle da Nature Publishing Group [en], uma divisão da Holtzbrinck.[14]
Donald Miller morreu em dezembro de 1998,[15] Gerard Piel em setembro de 2004 e Dennis Flanagan em janeiro de 2005. Mariette DiChristina [en] assumiu a edição-chefe após a saída de John Rennie [en], em junho de 2009,[14] e deixou o cargo em setembro de 2019. Em abril de 2020, Laura Helmuth [en] assumiu como editora-chefe.
Em 2009, a editora informou às bibliotecas universitárias que o preço da assinatura anual subiria quase 500% para a versão impressa e 50% para o acesso pela internet, chegando a US$ 1.500 por ano.[16]
A Scientific American teve escritórios no número 37 da Park Row [en], em Manhattan, e, a partir de 1915, no Woolworth Building, concluído dois anos antes, em 1913.[8] O Woolworth Building era um dos primeiros arranha-céus da cidade e o edifício mais alto do mundo.[8]
Em junho de 2026, a Springer Nature vendeu a Scientific American e a Spektrum der Wissenschaft para concentrar suas atividades editoriais em pesquisa, saúde e educação. A Scientific American foi adquirida pelo LabX Media Group [en], e a Spektrum, pela GeraNova Bruckmann [en].[6][7] A seção do sindicato Writers Guild of America East [en] na revista criticou a venda e a demissão de 15 funcionários, entre eles a maioria dos organizadores sindicais da publicação, alegando que as medidas tinham como objetivos enfraquecer o sindicato e censurar a revista.[17]
Edições internacionais
[editar | editar código]A Scientific American lançou sua primeira edição em outro idioma em 1890, em espanhol, com o título La América Científica é Industrial. A publicação foi encerrada no início do século XX.[18] Em 1968, foi lançada a edição italiana, Le Scienze [en],[19] seguida, em 1971, pela edição japonesa, 日経サイエンス, transliterada como Nikkei Science.[20]
Entre as edições internacionais que vieram depois estavam a nova publicação em espanhol para a Espanha, Investigación y Ciencia, que significa "Investigação e Ciência", de 1976, a francesa Pour la Science, "Pela Ciência", de 1977, e a alemã Spektrum der Wissenschaft, "Espectro da Ciência", de 1978. Houve também a edição russa, V Mire Nauki, escrita В мире науки em russo, cujo título significa "No mundo da ciência".[21]
A edição em polonês, publicada pela Prószyński Media, começou em 1991 com o nome Świat Nauki, "Mundo da Ciência".[21]
Em 2002, foi criada em Taipé a edição de Taiwan, Scientist, chamada 科學人 em chinês tradicional. No mesmo ano, a edição alemã, Spektrum der Wissenschaft, lançou a Gehirn & Geist, "Cérebro e Mente", voltada à psicologia e à neurociência.[21]
No Brasil, a edição em português foi lançada em 2002 pela Duetto Editorial, um empreendimento conjunto da Editora Segmento e da Ediouro Publicações.[22][23]
Na Itália, a Mente & Cervello, "Mente e Cérebro", foi lançada em 2003, ao lado da já existente Le Scienze. A edição em neerlandês começou a circular em 2003, publicada pela Cascade, em Antuérpia.[21]
Editores
[editar | editar código]- Rufus Porter [en], 1792–1884, editor de 1845 a 1847
- Orson Desaix Munn [en], 1824–1907, editor de 1847 a 1907[24]
- Charles Allen Munn [en], 1859–1924, editor de 1907 a 1924[25][26]
- Orson Desaix Munn II [en], 1883–1958, editor de 1924 a 1947
- Dennis Flanagan [en], 1919–2005, editor de 1947 a 1984[27]
- Jonathan Piel [en], de 1984 a 1994
- John Rennie [en], de 1994 a 2009
- Mariette DiChristina [en], de 2009 a 2019
- Laura Helmuth [en], de 2020 a 2024[28][29]
- David M. Ewalt [en], desde 2025
Controvérsia editorial
[editar | editar código]Em 2013, a cientista Danielle N. Lee [en], que escrevia em um blog da Scientific American, foi chamada de "puta" em um e-mail de um editor do site de ciência Biology Online, depois de recusar um convite para escrever conteúdo profissional sem remuneração.[30] Lee escreveu uma resposta ao e-mail e a publicou em seu blog na Scientific American.[31] A editora-chefe Mariette DiChristina retirou a postagem, alegando razões jurídicas.[32] O editor do Biology Online foi demitido após o episódio.[33]
A controvérsia cresceu nos dias seguintes. Outra blogueira, Monica Byrne, acusou o editor de blogs da revista, Bora Zivkovic, de assédio sexual.[34][35] Embora o suposto episódio tivesse ocorrido cerca de um ano antes, Mariette DiChristina informou aos leitores que o caso havia sido investigado e resolvido de maneira satisfatória para Byrne.[36] O episódio com Lee e o apoio de Zivkovic a ela levaram Byrne a divulgar o nome dele. Zivkovic admitiu que o encontro com Byrne havia ocorrido.[37] Ele pediu desculpas a Byrne e afirmou que o episódio fora "isolado" e que não havia tido aquele comportamento "antes nem depois".[37]
Zivkovic deixou a diretoria da Science Online [en], conferência de blogs de divulgação científica que havia fundado com Anton Zuiker.[38] Após sua admissão, outras blogueiras, entre elas colaboradoras da revista, publicaram relatos de supostos episódios de assédio sexual. Nenhum desses relatos foi investigado de forma independente.[39][40][41] Um dia depois da divulgação dessas novas acusações, Zivkovic deixou seu cargo na Scientific American.[42][43]
Edições especiais
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A Scientific American publicou edições especiais dedicadas a diferentes temas científicos.[44] Em geral, essas edições são trimestrais e abordam assuntos como a habitação humana no espaço, a evolução, a economia e as mudanças climáticas. A edição de março de 2024, volume 33, número 1s, por exemplo, reuniu artigos sobre exploração espacial, divisão sexual do trabalho e diferenciação sexual [en] entre os primeiros caçadores-coletores.[45] A edição de junho de 2024, volume 33, número 2s, trouxe textos sobre o "vazio cósmico" e questões da física levantadas pela constante cosmológica.[46]
Os assinantes podem consultar as edições especiais no acervo da revista. O arquivo da Scientific American reúne a lista das edições anteriores, inclusive as especiais, desde a fundação da publicação, em 1845.[47]
Prêmio Scientific American 50
[editar | editar código]O prêmio Scientific American 50 foi criado em 2002 para reconhecer realizações na ciência e na tecnologia no ano anterior. As 50 premiações da revista abrangem categorias como agricultura, comunicações, defesa, meio ambiente e diagnóstico médico. A lista completa dos premiados de cada ano é publicada na edição de dezembro e no site da revista.[48][49]
Site
[editar | editar código]O site da Scientific American foi mencionado pela primeira vez em uma edição da revista em maio de 1996.[50] Em abril de 2019, o site passou a adotar um sistema de acesso pago, permitindo aos leitores consultar gratuitamente alguns artigos por mês.[51]
Colunas
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A revista publicou as seguintes colunas:
- Mathematical Games [en], de Martin Gardner
- Metamagical Themas [en], de Douglas Hofstadter
- The Amateur Scientist [en]
- Computer Recreations, de A. K. Dewdney
- Skeptic, de Michael Shermer
- Connections [en], de James Burke
Televisão
[editar | editar código]De 1990 a 2005, a Scientific American produziu para a PBS o programa de televisão Scientific American Frontiers, apresentado por Woodie Flowers[52] e Alan Alda.[53]
Livros
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De 1983 a 1997, a Scientific American publicou uma coleção de volumes enciclopédicos por meio de sua divisão editorial, a Scientific American Library. Os livros eram oferecidos aos membros do Book of the Month Club [en], por preços de US$ 24,95 a US$ 32,95, e não eram vendidos em lojas de varejo.
A coleção abrangia dezenas de áreas do conhecimento científico, com textos aprofundados em títulos como The Animal Mind, Atmosphere, Climate, and Change, Beyond the Third Dimension, Cosmic Clouds, Cycles of Life: Civilization and the Biosphere, The Discovery of Subatomic Particles, Diversity and the Tropical Rain Forest, Earthquakes and Geological Discovery, Exploring Planetary Worlds, Gravity's Fatal Attraction, Fire, Fossils and the History of Life, From Quarks to the Cosmos, A Guided Tour of the Living Cell, Human Diversity, Perception, The Solar System, Sun and Earth, The Science of Words, sobre linguística, The Science of Musical Sound, The Second Law, sobre a segunda lei da termodinâmica, Stars e Supercomputing and the Transformation of Science.[54]
A Scientific American lançou um selo editorial em 2010, em parceria com a Farrar, Straus and Giroux.[55]
- DiChristina, Mariette (2017). Scientific American – The Science Behind the Debates. Special Collector's Edition. Winter 2017/2018 (em inglês). [S.l.]: Scientific American Uma "coletânea de artigos e textos curtos da Scientific American, atualizados ou adaptados". A editora Andrea Gawrylewski escreveu: "O leitor logo perceberá um tema em comum. [...] De fato, não há debate no que diz respeito à ciência". Entre os autores estão Seth Shostak, Paul Offit [en], Richard Dawkins e Harriet Hall [en].[56]
Debate científico e político
[editar | editar código]Em abril de 1950, a Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos, AEC, ordenou que a Scientific American interrompesse a publicação de uma edição com um artigo de Hans Bethe que parecia divulgar informações sigilosas sobre a bomba de hidrogênio. Uma nova análise do material concluiu que a reação da AEC havia sido exagerada. O episódio teve peso na trajetória da "nova" Scientific American. Quando o editor Gerard Piel levou o caso à imprensa, a decisão da AEC de queimar 3.000 exemplares da tiragem inicial que continham o material contestado foi vista como "queima de livros em uma sociedade livre".[57]
Na edição de outubro de 2020, a revista apoiou Joe Biden na eleição presidencial dos Estados Unidos, em razão da rejeição de Donald Trump às evidências científicas, sobretudo durante a pandemia de COVID-19 no país.[58][59] No editorial que anunciou o apoio, os editores escreveram: "A Scientific American nunca apoiou um candidato à presidência em seus 175 anos de existência. Neste ano, sentimos a obrigação de fazê-lo. Não tomamos essa decisão de maneira leviana".[60] Em setembro de 2024, pela segunda vez desde sua fundação e pelo mesmo motivo, a Scientific American apoiou Kamala Harris na eleição presidencial dos Estados Unidos.[61]
Em novembro de 2024, a editora-chefe Laura Helmuth [en] deixou a Scientific American depois de pedir desculpas por uma postagem nas redes sociais em que chamou alguns apoiadores de Trump de fascistas.[29] O jornalista Jesse Singal [en] criticou o que entendia como uma aproximação da revista com pautas de justiça social em prejuízo de sua credibilidade científica.[62]
Prêmios
[editar | editar código]- 2010: Prêmio IQ para a edição alemã, Spektrum der Wissenschaft.[63]
- 2012: Science in Society Journalism Award [en] pelo editorial "Ban Chimp Testing".[64]
- 2013: a National Association of Science Writers premiou o jornalista independente Douglas Fox na categoria de reportagem científica por "Witness to an Antarctic Meltdown", publicado na Scientific American.[65]
- 2024: a Scientific American recebeu sete Telly Awards, que premiam a qualidade de produções de vídeo e televisão para diferentes telas. Os trabalhos visuais da revista sobre temas científicos foram escolhidos entre mais de 13.000 inscrições.[66]
Ver também
[editar | editar código]- 14145 Sciam, asteroide batizado em homenagem à revista
- Discover, revista estadunidense de divulgação científica
- New Scientist, revista britânica de divulgação científica
- Prêmio Georg von Holtzbrinck de Jornalismo Científico, criado por ocasião dos 150 anos da revista
Referências
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Le Scienze é a edição italiana da Scientific American, a revista de divulgação científica de maior prestígio do mundo. A edição italiana foi a primeira edição internacional, em 1968.
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- ↑ «Auszeichnung für Spektrum: "Im Gegensatz zu anderen populärwissenschaftlichen Publikationen ..."» (em alemão). Spektrum der Wissenschaft. 21 de setembro de 2010. Consultado em 12 de setembro de 2026
- ↑ Boyle, Alan (13 de setembro de 2012). «Winning Stories from Science Writers». NBC News (em inglês). Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2024
- ↑ «2013 Science in Society Journalism Award Winners». National Association of Science Writers [en] (em inglês). 1 de outubro de 2013. Consultado em 8 de dezembro de 2024. Cópia arquivada em 11 de março de 2019
- ↑ «Scientific American Wins Seven Telly Awards». Springer Nature (em inglês). 10 de julho de 2024. Consultado em 8 de dezembro de 2024. Cópia arquivada em 17 de setembro de 2024
Ligações externas
[editar | editar código]- Site oficial em inglês
- Site da edição brasileira
- Scientific American na HathiTrust
- Obras de ou sobre Scientific American no Internet Archive
- Obras de Scientific American (em inglês) no LibriVox (livros falados em domínio público)


