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Boeing

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
The Boeing Company
Logo usado desde 1997[nota 1]
Sede da Boeing em Crystal City, na Virgínia
Nome(s) anterior(es)Pacific Aero Products Co. (1916–1917)
Boeing Airplane Company (1917–1961)[1][2]
Pública
CotaçãoNYSE: BA
B3: BOEI34
Componente do DJIA e do S&P 500
AtividadeAeroespacial e defesa
Fundação15 de julho de 1916 (110 anos), em Seattle
Fundador(es)William E. Boeing
SedeCrystal City, Condado de Arlington, Virgínia, Estados Unidos
Área(s) servida(s)Mundial
Pessoas-chaveKelly Ortberg, presidente e diretor-executivo
Steve Mollenkopf, presidente do conselho
EmpregadosAumento 182.000, em 2025
ProduçãoAumento 600 aeronaves comerciais
Aumento 127 aeronaves militares
Aumento 4 satélites, em 2025
DivisõesBoeing Commercial Airplanes
Boeing Defense, Space & Security
Boeing Global Services
SubsidiáriasAurora Flight Sciences
Boeing Australia
Boeing Canada
Boeing UK
Insitu
Jeppesen
Spectrolab
Spirit AeroSystems
Wisk Aero
AtivosAumento US$ 168,2 bilhões, em 2025
ReceitaAumento US$ 89,5 bilhões, em 2025
LucroAumento US$ 4,28 bilhões, em 2025
Renda líquidaAumento US$ 2,24 bilhões, em 2025
Websitewww.boeing.com
  • Notas de rodapé / referências
  • Dados financeiros em 31 de dezembro de 2025.[3][4]

The Boeing Company, pronunciado /ˈboʊɪŋ/ em inglês, é uma empresa transnacional dos Estados Unidos que projeta e fabrica aviões, aeronaves de asas rotativas, foguetes, satélites e mísseis.[5] Também oferece arrendamento e suporte aos seus produtos. Está entre os maiores fabricantes aeroespaciais do mundo. Em 2022, era a quarta maior contratada de defesa por receita[6] e a maior exportadora dos Estados Unidos em valor.[7] William E. Boeing fundou a empresa em Seattle, no estado de Washington, em 1916.[8] A corporação atual surgiu da compra da McDonnell Douglas pela Boeing, concluída em 1 de agosto de 1997.

A sede da Boeing fica em Crystal City, no Condado de Arlington, perto de Washington, D.C..[9] Suas três divisões principais são Boeing Commercial Airplanes, ou BCA, Boeing Defense, Space & Security, ou BDS, e Boeing Global Services, ou BGS. As vendas chegaram a US$ 62,3 bilhões em 2021.[10] A empresa ficou na 54.ª posição da lista Fortune 500 de 2020[11] e na 121.ª posição da Fortune Global 500 do mesmo ano.[12]

História

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A Boeing nasceu em 1916, quando o industrial madeireiro William E. Boeing fundou a Pacific Aero Products Company em Seattle, Washington. Pouco antes, ele e Conrad Westervelt haviam criado o hidroavião "B&W".[13] A organização passou a se chamar Boeing Airplane Company em 1917. William Boeing criou a Boeing Airplane & Transport Corporation em 1928.[14] Em 1929, a companhia recebeu o nome United Aircraft and Transport Corporation e comprou fabricantes de aeronaves, entre eles Avion, Chance Vought, Sikorsky Aviation, Stearman Aircraft, Pratt & Whitney e Hamilton Metalplane.[2]

Em 1931, o grupo reuniu suas quatro companhias aéreas menores na United Airlines. Uma determinação de 1934 separou a fabricação de aeronaves do transporte aéreo.[15] A dissolução da United Aircraft and Transport deu origem à Boeing Airplane Company, à United Aircraft, que viria a ser a United Technologies Corporation, e à United Airlines.[2][15]

Em 1960, a empresa comprou a Vertol Aircraft Corporation, então o maior fabricante independente de helicópteros.[16] Nas décadas de 1960 e 1970, entrou em setores como viagens espaciais, embarcações, agricultura, geração de energia e sistemas de transporte.[2]

Sea Launch

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Em 1995, a Boeing uniu-se a organizações russas, ucranianas e anglo-norueguesas para criar a Sea Launch. A empresa lançava satélites comerciais em órbita geoestacionária a partir de plataformas flutuantes.[17] Em 2000, a Boeing comprou a divisão de satélites da Hughes Electronics.[2][18]

Fusão com McDonnell Douglas

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Em dezembro de 1996, a Boeing anunciou a intenção de se fundir com a McDonnell Douglas. A operação recebeu autorização regulatória e foi concluída em 1 de agosto de 1997.[19][20] A Comissão Europeia retardou a aprovação e impôs condições. Os acordos de exclusividade com três companhias aéreas dos Estados Unidos seriam encerrados, a atividade de aeronaves civis da McDonnell Douglas manteria contas separadas e algumas patentes de defesa seriam oferecidas aos concorrentes.[21] Em 2020, a revista Quartz atribuiu à McDonnell Douglas a vitória no choque entre a cultura dos engenheiros da Boeing e a dos executivos da empresa adquirida, voltados aos resultados financeiros. A publicação relacionou essa mudança aos acontecimentos que antecederam a crise do 737 MAX.[22]

Sede corporativa

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A sede da Boeing foi transferida de Seattle para Chicago em 2001.[23] Em 2018, a empresa abriu sua primeira fábrica europeia em Sheffield, no Reino Unido, apoiada por uma parceria de pesquisa com a Universidade de Sheffield.[24]

Em maio de 2020, a Boeing eliminou mais de 12.000 postos de trabalho diante da queda nas viagens aéreas causada pela pandemia de COVID-19. Planejava reduzir o quadro total em 10%, cerca de 16.000 postos.[25] Em julho, informou prejuízo de US$ 2,4 bilhões decorrente da pandemia e da suspensão dos voos do 737 MAX, além de novos cortes no emprego e na produção.[26] Em 18 de agosto, o diretor-executivo Dave Calhoun anunciou outra rodada de demissões.[27] Em 28 de outubro, o total se aproximava de 30.000 empregados.[28]

Em maio de 2022, a Boeing anunciou a transferência da sede global de Chicago para o Condado de Arlington, nos arredores de Washington, D.C. A proximidade dos clientes e de outras partes interessadas na atividade de defesa pesou na escolha.[29][30] Depois do incidente com o voo 1282 da Alaska Airlines, em janeiro de 2024, um acionista propôs levar a sede de volta à região de Seattle para aproximar as equipes de engenharia e controle de qualidade dos principais dirigentes. O conselho rejeitou a proposta.[31][32]

Em fevereiro de 2023, a Boeing anunciou a demissão de cerca de 2.000 funcionários das áreas financeira e de recursos humanos.[33]

Em maio de 2023, a Boeing comprou a empresa de táxis aéreos EVTOL Wisk Aero.[34]

Parceria com a Embraer

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Em 5 de julho de 2018, a Boeing anunciou uma sociedade com a brasileira Embraer, avaliada em US$ 4,75 bilhões. A Boeing teria 80% do negócio.[35] A empresa recebeu o nome Boeing Brasil-Commercial, enquanto a Embraer manteria as linhas de aviação executiva e de defesa.[36]

Em 24 de abril de 2020, a Boeing rescindiu o acordo para a divisão de aviões comerciais da Embraer. A sociedade voltada à comercialização do cargueiro militar C-390 Millennium foi mantida.[37]

Aquisição da Spirit AeroSystems

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Em junho de 2024, a Boeing concordou em recomprar a Spirit AeroSystems, antiga divisão de Wichita separada em 2005 e sua fornecedora de longa data. O acordo, discutido desde março, foi fechado em 30 de junho por US$ 4,7 bilhões.[38]

Em dezembro de 2025, a Comissão Federal do Comércio exigiu que a Boeing vendesse ativos da Spirit para resolver preocupações concorrenciais. Entre eles estavam as operações que forneciam peças à Airbus e a empresa aeroespacial malaia Subang. Airbus e Subang comprariam essas atividades. Os reguladores da União Europeia aceitaram a solução.[39]

Greve trabalhista

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Em 12 de setembro de 2024, os maquinistas da Boeing filiados à International Association of Machinists and Aerospace Workers, ou IAM, votaram sobre um contrato apoiado pela comissão negociadora do sindicato. A proposta foi rejeitada por 94,6% dos participantes e 96% aprovaram uma greve.[40] Os trabalhadores pararam à 0h01 de 13 de setembro, na primeira greve da Boeing desde 2008.[40][41]

Em 12 de outubro, a empresa anunciou o corte de 17.000 postos, cerca de 10% do quadro mundial, para se ajustar à situação financeira. Também adiou por um ano as primeiras entregas do 777X e informou perdas de US$ 5 bilhões no terceiro trimestre.[42][43] Em 28 de outubro, iniciou uma venda de ações avaliada em cerca de US$ 19 bilhões para reforçar o fluxo de caixa e evitar o rebaixamento da nota de crédito para grau especulativo.[44]

Em 1 de novembro, o IAM apoiou uma oferta que previa aumento salarial de 38% em quatro anos, bônus de ratificação de US$ 12.000 e a volta do programa anual de bônus.[45] Os empregados aceitaram a proposta em 5 de novembro e encerraram a greve de sete semanas.[46]

Em agosto de 2026, a Boeing e a Society of Professional Engineering Employees Association retomaram as negociações depois que os filiados rejeitaram o contrato proposto pela empresa.[47]

História recente

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Em 20 de maio de 2026, a China anunciou a compra de 200 aviões da Boeing depois de uma reunião bilateral com os Estados Unidos.[48][49] Kelly Ortberg disse que a viagem da Boeing à China havia sido bem-sucedida e incluíra um compromisso inicial de 200 aeronaves.[48]

Divisões

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Montagem de um 737 na fábrica da Boeing em Renton

As divisões da empresa são Boeing Commercial Airplanes, Boeing Defense, Space & Security e Boeing Global Services.[50]

  • Boeing Commercial Airplanes, ou BCA, fabrica aeronaves comerciais como o 737, o 767, o 777 e o 787, além das versões cargueiras e executivas de boa parte desses modelos. A divisão emprega quase 35.000 pessoas, muitas delas nas fábricas de Everett e Renton, no estado de Washington, e da Carolina do Sul.
  • Boeing Defense, Space & Security, ou BDS, fabrica aviões militares, aeronaves de asas rotativas, mísseis e sistemas espaciais para clientes civis e militares, como satélites, espaçonaves e foguetes.
  • Boeing Global Services, ou BGS, oferece serviços pós-venda, como manutenção e modernização, a clientes que compram equipamentos da BCA, da BDS ou de outros fabricantes.
Montagem final de um Boeing 737, em 1975

Defeitos de segurança e acidentes aéreos

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Acidentes e suspensão dos voos do Boeing 737 MAX

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PK-LQP, a aeronave da Lion Air envolvida no acidente
PK-LQP, a aeronave da Lion Air envolvida no acidente
ET-AVJ, a aeronave da Ethiopian Airlines envolvida no acidente
ET-AVJ, a aeronave da Ethiopian Airlines envolvida no acidente

Em 2018 e 2019, dois Boeing 737 MAX de fuselagem estreita caíram no Voo Lion Air 610 e no Voo Ethiopian Airlines 302. As 346 pessoas a bordo morreram. Autoridades de aviação e companhias aéreas suspenderam as operações dos 737 MAX em todo o mundo.[51] A suspensão alcançou 387 aeronaves.[52] A reputação, os negócios e a nota de crédito da Boeing foram prejudicados. A estratégia da companhia, sua governança e o peso dado ao lucro e à redução de custos passaram a ser questionados.[53][54][55] Em 2022, a Netflix lançou o documentário Downfall: The Case Against Boeing. O filme atribuiu os acidentes à perda de moral entre os empregados depois da fusão com a McDonnell Douglas.[56][57][58][59][60]

Em junho de 2020, a Administração Federal de Aviação, ou FAA, encontrou defeitos no 737 MAX cuja correção havia sido adiada pela Boeing, em desacordo com os regulamentos.[61] A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos concluiu sua investigação em setembro. O relatório citou ocasiões em que a Boeing descartou preocupações de funcionários sobre o sistema de estabilização do 737 MAX, conhecido como MCAS, que causou os dois acidentes fatais. A empresa deu prioridade a prazos e limites orçamentários em detrimento da segurança aérea e não revelou à FAA informações essenciais. A premissa de que o treinamento em simulador seria desnecessário havia "reduzido a segurança, minimizado o valor do treinamento de pilotos e impedido melhorias técnicas no projeto".[62] Em 7 de janeiro de 2021, a Boeing fechou um acordo de mais de US$ 2,5 bilhões após ser acusada de fraude por esconder informações dos reguladores. O valor abrangia uma multa criminal de US$ 243,6 milhões, US$ 1,77 bilhão em indenizações às companhias aéreas e um fundo de US$ 500 milhões para beneficiários das vítimas.[63]

Em setembro de 2022, a Boeing recebeu outra multa, de US$ 200 milhões, por enganar investidores sobre questões de segurança relacionadas aos acidentes.[64] Em documentos judiciais apresentados em março de 2023, a Boeing contestou que as vítimas do Voo Ethiopian Airlines 302 tivessem sentido dor e sofrimento nos seis minutos finais, quando o avião mergulhava em direção ao solo. Argumentou que o impacto à "velocidade do som" teria causado uma morte rápida demais para ser dolorosa. O HuffPost chamou a alegação de "absurda":[65]

Os passageiros a bordo do avião, argumentaram os autores no processo, "sofreram, sem dúvida, terrível angústia emocional, dor e sofrimento, além de impacto e lesões físicas enquanto suportavam forças G extremas, preparavam-se para o impacto, sabiam que o avião apresentava uma falha e, por fim, caíam de nariz em direção ao solo a uma velocidade aterrorizante".

Enquanto prosseguiam as investigações sobre o 737 MAX, o Boeing 777X, maior birreator da empresa e o maior já construído, fez o primeiro voo em 25 de janeiro de 2020.[66] O modelo também enfrentou problemas. Um incidente nos testes de voo de 2021 adiou a primeira entrega prevista para 2024.[67] Outros problemas técnicos encontrados em 2022 mudaram a previsão para 2025, seis anos depois da data original.[68][69]

Voo 1282 da Alaska Airlines

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N704AL, a aeronave da Alaska Airlines envolvida no incidente
N704AL, a aeronave da Alaska Airlines envolvida no incidente

Em 5 de janeiro de 2024, o tampão de uma porta se soltou do voo 1282 da Alaska Airlines,[70][71] um 737 MAX 9 que voava a pouco mais de 4.800 metros de altitude. O incidente abriu na fuselagem um buraco do tamanho de uma porta. A aeronave pousou em emergência no Aeroporto Internacional de Portland. Algumas pessoas ficaram feridas, mas receberam alta médica.[72] A FAA ordenou inspeções imediatas dos 737 MAX 9 equipados com o tampão e retirou de operação 171 aeronaves.[73][74][75] A United Airlines encontrou parafusos soltos nos jatos parados, o que levantou dúvidas sobre possíveis problemas no conjunto dos 737 MAX 9.[76] Em 12 de janeiro, a FAA ampliou a fiscalização da Boeing e anunciou uma auditoria da produção do modelo.[77] Um relatório preliminar do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes, divulgado em 6 de fevereiro, concluiu que quatro parafusos que prendiam o painel haviam sido retirados e pareciam não ter sido recolocados na fábrica da Boeing em Renton (Washington).[78]

O Departamento de Justiça abriu uma investigação criminal sobre o incidente em março de 2024.[79] No mesmo mês, o diretor-executivo Dave Calhoun e o presidente do conselho Larry Kellner anunciaram que deixariam os cargos.[80]

Substituto potencial para o 737 MAX

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Em setembro de 2025, o The Wall Street Journal informou que a Boeing planejava um novo avião de corredor único para suceder o 737 MAX e recuperar a participação de mercado perdida para a Airbus depois dos problemas de segurança e qualidade.[81]

Histórico ambiental

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Em 2006, o Center for Environmental Risk Reduction da Universidade da Califórnia em Los Angeles publicou um estudo sobre o Santa Susana Field Laboratory. O antigo centro de testes e desenvolvimento da Rocketdyne, nas Simi Hills, no leste do Condado de Ventura, no Sul da Califórnia, havia sido contaminado com resíduos tóxicos e radioativos. A Boeing aceitou um acordo de limpeza com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos em 2017.[82] Estudos sobre a descontaminação e ações judiciais ainda estavam em curso.[83]

A Boeing calculou que cada jato entregue em 2020 acrescentaria, em média, um milhão de toneladas de dióxido de carbono à atmosfera durante sua vida útil.[84] Os aviões vendidos naquele ano produziriam cerca de 158 milhões de toneladas de CO2.[85]

As mudanças climáticas aumentam para a Boeing os riscos causados por eventos meteorológicos extremos, interrupções na cadeia de suprimentos e regras ambientais mais rígidas. A redução das emissões de carbono e a busca por soluções sustentáveis também trazem pressões operacionais e financeiras. A empresa pretende tornar o combustível sustentável de aviação adequado a toda a sua frota até 2030 e alcançar emissões líquidas nulas em 2050.[86]

Em 19 de julho de 2022, a Boeing renovou uma parceria com a Mitsubishi voltada a soluções sustentáveis e com neutralidade de carbono.[87]

Biocombustíveis de aviação

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Fábrica da Boeing de Everett, onde é montada a maior parte das aeronaves de fuselagem larga da empresa

A aviação responde por cerca de 11% dos gases do efeito estufa emitidos pelo setor de transportes dos Estados Unidos.[88] Essa parcela tendia a crescer com o aumento das viagens aéreas e o uso de combustíveis alternativos, como álcool combustível e biodiesel, nos veículos terrestres.[88] A Boeing estimou que os biocombustíveis poderiam reduzir em 60% a 80% as emissões dos voos. A solução misturava combustíveis de algas ao combustível de jato convencional.[88]

A Boeing trabalhou com a produtora brasileira de biocombustíveis Tecbio, a neozelandesa Aquaflow Bionomic e desenvolvedores de outros países. Até 2007, havia testado seis combustíveis dessas empresas e esperava testar vinte até concluir a avaliação.[88] A companhia ingressou na Algal Biomass Organization em junho de 2008.[89]

A Air New Zealand e a Boeing pesquisaram a jatrofa como alternativa sustentável ao combustível convencional.[90] Em 30 de dezembro de 2008, concluíram um voo de teste de duas horas com uma mistura em partes iguais do novo biocombustível e Jet A-1, usada em um motor Rolls-Royce RB-211 de um 747-400.[91] O motor foi retirado e examinado para comparar a mistura de jatrofa ao Jet A-1 comum. Não foram encontradas diferenças de desempenho.[91]

Contribuições políticas, contratos federais, defesa, críticas e sanções

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O diretor-executivo da Boeing, Dennis Muilenburg, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na apresentação do 787-10 Dreamliner em 2017

Em 2007 e 2008, a empresa recebeu mais de US$ 10 bilhões em garantias de empréstimos de longo prazo do Export-Import Bank of the United States. Os recursos financiaram compras de aviões comerciais no Brasil, no Canadá, na Irlanda e nos Emirados Árabes Unidos, entre outros países. O valor correspondia a cerca de 65% das garantias concedidas pelo banco naquele intervalo.[92]

Em 2008 e 2009, a Boeing ficou em segundo lugar entre as cem maiores contratadas do governo federal dos Estados Unidos. Os contratos somaram US$ 22 bilhões e US$ 23 bilhões, respectivamente.[93][94] Entre 1995 e o início de 2021, a empresa aceitou pagar US$ 4,3 bilhões para encerrar 84 casos de má conduta. A soma abrangia US$ 615 milhões pagos em 2006 pela contratação ilegal de funcionários públicos e pelo uso indevido de informações reservadas.[95][96][97]

A Boeing gastou US$ 16,9 milhões com lobby em 2009.[98][99] Na eleição presidencial de 2008, Barack Obama recebeu US$ 197.000 de funcionários e dirigentes da empresa. O valor foi cinco vezes maior que o destinado a John McCain e superou a soma recebida pelos oito candidatos republicanos mais bem financiados.[100]

A Boeing mantém um programa de responsabilidade social corporativa com doações para educação, saúde, assistência social, meio ambiente, artes e cultura e participação cívica.[101] Em fevereiro de 2012, a unidade Boeing Global Corporate Citizenship e a Insight Labs desenvolveram um novo modelo de atuação para fundações.[102]

A empresa integra a U.S. Global Leadership Coalition, grupo sediado em Washington, D.C., com mais de quatrocentas empresas e organizações não governamentais. A coalizão defende o aumento do orçamento que financia a diplomacia e os programas de desenvolvimento dos Estados Unidos no exterior.[103] Telegramas diplomáticos dos Estados Unidos mostraram diplomatas e políticos de alto escalão intervindo em favor da Boeing para aumentar as vendas.[104] Durante os governos de Donald Trump, Paolo Zampolli apresentou-se como "o segundo maior vendedor da Boeing no mundo, logo depois do presidente", algo que a empresa não confirmou. Ele afirmou dizer a governos estrangeiros que quisessem acesso a Trump: "Se quiserem deixar o presidente feliz, comprem Boeing".[105]

A Boeing obteve, em 2013, a maior concessão de benefícios fiscais já feita por um estado norte-americano.[106]

Em março de 2025, a Boeing recebeu um contrato de mais de US$ 20 bilhões para construir o caça Next Generation Air Dominance da Força Aérea dos Estados Unidos.[107]

Críticas

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Em dezembro de 2011, a organização apartidária Public Campaign criticou a Boeing por gastar US$ 52,29 milhões em lobby e não pagar impostos entre 2008 e 2010. Nesse intervalo, a companhia recebeu US$ 178 milhões em restituições tributárias, lucrou US$ 9,7 bilhões, demitiu 14.862 trabalhadores e elevou em 31% a remuneração de seus cinco executivos mais bem pagos, que chegou a US$ 41,9 milhões em 2010.[108]

A Boeing foi acusada de práticas antiéticas, contrárias ao Procurement Integrity Act, quando tentou apresentar à NASA uma proposta revista para um módulo de pouso lunar.[109]

Lucro com guerras

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Caças F-15S/SA, vendidos pela Boeing à Arábia Saudita e usados na guerra no Iêmen

A Boeing recebeu críticas pelo fornecimento de armas e pelos lucros obtidos em guerras. No Iêmen, mísseis da empresa foram usados em ataques indiscriminados que mataram civis.[110][111] Em 2017, a Boeing assinou com a Arábia Saudita um acordo para a venda de aeronaves militares e sistemas de mísseis guiados.[112] Um relatório estimou que os contratos de armas israelenses renderam à Boeing entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões de 2009 a 2022, antes da Guerra de Gaza.[113]

Na primeira semana dos ataques aéreos israelenses a Gaza de 2023, a Boeing enviou mil bombas "inteligentes" de pequeno diâmetro. A Força Aérea Israelense recebeu o carregamento em uma base da Força Aérea dos Estados Unidos.[114] Na guerra de Gaza, as ações da Boeing subiram com novos contratos israelenses de armamentos.[115] Manifestantes tentaram interromper encontros de fornecedores de defesa e bloquear remessas para as Forças de Defesa de Israel em instalações da Boeing em St. Charles (Missouri),[116] Tukwila,[117] e Gresham (Oregon).[118] Os protestos citaram violações em massa do direito internacional humanitário por Israel.[119][120][121] Alunos da Universidade Estadual da Flórida,[122] da Universidade de Washington,[123] da Universidade Saint Louis, da Universidade do Missouri em St. Louis e da Universidade Washington em St. Louis pediram que suas instituições rompessem as parcerias com a Boeing.[124]

Em 2024, estudantes em greve de fome na Universidade Brown incluíram a Boeing entre as empresas das quais queriam que a universidade se desfizesse de investimentos.[125] Cinco pessoas contrárias às vendas da Boeing para Israel foram presas sob acusações de crimes graves depois de bloquear as entradas de uma unidade em Heath (Ohio).[126] O grêmio estudantil da Universidade Washington em St. Louis aprovou uma resolução que pedia o desinvestimento na Boeing.[127]

Israel usou a GBU-39 SDB, fabricada pela Boeing, na guerra de Gaza. A bomba foi encontrada em ataques contra um acampamento de refugiados em Rafah,[128] a escola Al-Sardi[129] e a escola Al-Tabaeen.[130]

Sanções

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Em dezembro de 2025, a China impôs sanções a dez pessoas e vinte empresas de defesa dos Estados Unidos, entre elas uma fábrica da Boeing. As medidas congelaram ativos na China e proibiram cidadãos e organizações chinesas de fazer negócios com os alvos. A decisão veio depois que os Estados Unidos anunciaram a venda de US$ 11,1 bilhões em armas a Taiwan, o maior acordo do gênero até então.[131][132][133][134][135][136]

Finanças

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Os dados financeiros da Boeing ao fim de cada exercício, encerrado em 31 de dezembro, são:[137]

Ano Receita
em bilhões de US$[138]
Lucro ou prejuízo líquido
em bilhões de US$
Empregados Referências
2005 53,6 2,5 [139]
2006 61,5 2,2 [140]
2007 66,3 4,0 [141]
2008 60,9 2,6 [142]
2009 68,2 1,3 [143]
2010 64,3 3,2 [144]
2011 68,7 4,0 [145]
2012 81,6 3,9 [146]
2013 86,6 4,5 168.400 [147]
2014 90,7 5,4 165.500 [148]
2015 96,1 5,1 161.400 [149]
2016 94,5 4,8 150.500 [150]
2017 93,3 8,1 140.800 [151]
2018 101 10,4 153.000 [152]
2019 76,5 (0,63) 161.000 [153]
2020 58,1 (11,9) 141.014 [154]
2021 62,2 (4,2) 140.000 [155]
2022 66,6 (5,1) 156.000 [156]
2023 77,7 (2,2) 171.000 [157]
2024 66,5 (11,8) 172.000 [158]
2025 89,5 2,2 182.000 [4]
Receita por divisão em 2024[158]
Divisão Receita
em bilhões de US$
Participação na receita
Aviões comerciais 22,9 34,4%
Defesa, Espaço e Segurança 23,9 36,0%
Serviços globais 20,0 30,1%
Outros -0,2 -0,003%
Total 66,5

Entre 2010 e 2018, a Boeing elevou seu fluxo de caixa operacional de US$ 3 bilhões para US$ 15,3 bilhões. A empresa sustentou o preço das ações ao negociar pagamentos antecipados com os clientes e adiar os pagamentos aos fornecedores. A estratégia dependia da entrada de encomendas e do aumento das entregas.[159]

De 2013 a 2019, a Boeing gastou mais de US$ 60 bilhões em dividendos e recompras de ações, o dobro do custo de desenvolvimento do 787.[160]

No segundo trimestre de 2020, a receita da Boeing caiu para US$ 11,8 bilhões com a retração causada pela pandemia. O aumento das vendas em outras divisões e das entregas de aviões comerciais levou a receita do segundo trimestre de 2021 a quase US$ 17 bilhões, uma alta de 44%.[161]

A receita do segundo trimestre de 2024 caiu 15% em relação ao mesmo período de 2023, para US$ 16,9 bilhões.[162] A empresa teve prejuízo operacional de US$ 1,39 bilhão e prejuízo líquido de US$ 1,43 bilhão. As entregas caíram de 136 para 92 aviões.

Em 2024, a Boeing entregou 348 aviões, o menor total anual desde a pandemia de COVID-19. A carteira de pedidos terminou o ano com 5.595 unidades ainda não entregues.[163]

Em 2025, a Boeing produziu 600 aviões comerciais e encerrou o ano com receita de US$ 89,5 bilhões.[4]

Empregados

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Os totais de empregados da empresa são apresentados abaixo.

Empregados por grupo em 31 de dezembro de 2023[164]
Grupo Empregados
Boeing Commercial Airplanes, BCA 47.948
Boeing Defense, Space & Security, BDS 17.925
Serviços Globais 22.323
Corporativo 82.492
Total da empresa 170.688
Empregados por local em 31 de dezembro de 2023[164]
Local Empregados
Alabama 3.411
Arizona 5.208
Califórnia 14.403
Missouri 16.681
Oklahoma 3.945
Pensilvânia 4.055
Carolina do Sul 7.864
Texas 7.090
Washington 66.797
Outros locais 41.234
Total da empresa 170.688

Cerca de 1,5% dos empregados da Boeing participam do programa Technical Fellowship, no qual os engenheiros e cientistas de nível mais alto definem a orientação técnica da empresa.[165] Em 2011, ex-funcionários informaram um salário médio de US$ 76.784 na Boeing.[166]

Governança corporativa

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Em 2022, Rory Kennedy dirigiu o documentário Downfall: The Case Against Boeing, distribuído pela Netflix.[56] Kennedy afirmou sobre a Boeing no século XXI: "Houve muitas décadas em que a Boeing fez coisas extraordinárias ao se concentrar em excelência, segurança e engenhosidade. Essas três virtudes eram vistas como a chave para o lucro. Isso podia funcionar, e muito bem. Depois, a empresa foi assumida por um grupo que decidiu que Wall Street era tudo o que importava."[57]

Em 5 de maio de 2022, a Boeing anunciou a transferência da sede de Chicago para Arlington, na Virgínia, dentro da região metropolitana de Washington, D.C. A empresa também planejava abrir um centro de pesquisa e tecnologia no norte da Virgínia.[29]

Em julho de 2024, a Boeing anunciou Kelly Ortberg como seu novo diretor executivo.[167][168] Em 8 de agosto, Ortberg se reuniu com o administrador da FAA, Michael Whitaker, para conversar sobre os rumos da empresa. Ele afirmou que pretendia reforçar a posição da Boeing no setor e apresentou seus planos para a companhia.[169]

Conselho de administração

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Em 2022, o presidente da Boeing também exercia o cargo de diretor executivo. As funções de presidente do conselho e diretor executivo foram separadas em outubro de 2019.[170]

Presidente do conselho
Nome Experiência anterior
Steven M. Mollenkopf Ex-diretor executivo da Qualcomm
Conselho de administração
Nome Experiência anterior ou cargo
Robert A. Bradway Presidente do conselho e diretor executivo da Amgen
Mortimer J. Buckley Ex-presidente do conselho e ex-diretor executivo do Vanguard Group
Lynne M. Doughtie Ex-presidente e ex-diretora executiva da KPMG nos Estados Unidos
David L. Gitlin Presidente do conselho e diretor executivo da Carrier Global
Lynn Good Ex-presidente do conselho e ex-diretora executiva da Duke Energy
Stayce Harris Ex-piloto da United Airlines
Ex-inspetora-geral da Força Aérea dos Estados Unidos
Akhil Johri Ex-vice-presidente executivo e ex-diretor financeiro da United Technologies Corporation
David L. Joyce Ex-presidente e ex-diretor executivo da GE Aerospace
Ex-vice-presidente da General Electric
Kelly Ortberg Presidente e diretor executivo da Boeing
John M. Richardson Ex-Chefe de Operações Navais da Marinha dos Estados Unidos
Ex-diretor do Programa de Propulsão Nuclear Naval da Marinha dos Estados Unidos

Ex-dirigentes

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Diretor executivo Presidente Presidente do conselho
Período Nome Período Nome Período Nome
N/A Cargo ainda não criado N/A Cargo ainda não criado 1916–1934 William E. Boeing
1922–1925 Edgar Gott[171]
1926–1933 Philip G. Johnson
1933–1939 Claire Egtvedt[172] 1933–1939 Claire Egtvedt 1934–1968 Claire Egtvedt
1939–1944 Philip G. Johnson 1939–1944 Philip G. Johnson
1944–1945 Claire Egtvedt 1944–1945 Claire Egtvedt
1945–1968 William M. Allen 1945–1968 William M. Allen
1969–1986 Thornton Wilson 1968–1972 Thornton Wilson 1968–1972 William M. Allen
1972–1985 Malcolm T. Stamper 1972–1987 Thornton Wilson
1986–1996 Frank Shrontz[173] 1985–1996 Frank Shrontz 1985–1996 Frank Shrontz
1996–2003 Philip M. Condit 1996–1997 Philip M. Condit 1997–2003 Philip M. Condit
2003–2005 Harry Stonecipher 1997–2005 Harry Stonecipher 2003–2005 Lewis E. Platt
2005–2015 James McNerney 2005–2013 James McNerney 2005–2016 James McNerney
2015–2019 Dennis Muilenburg[174] 2013–2019 Dennis Muilenburg[175] 2016–2019 Dennis Muilenburg
2019 Dave Calhoun
2020–2024 Dave Calhoun 2020–2024 Dave Calhoun 2019–2024 Lawrence Kellner
2024–presente Steve Mollenkopf
2024–presente Kelly Ortberg 2024–presente Kelly Ortberg

Ver também

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Notas

  1. ↑ O logotipo textual é usado desde 1948.

Referências

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Leitura adicional

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Ligações externas

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