Correntina
Correntina | |
|---|---|
| Hino | |
| Gentílico | correntinense[1] |
![]() | |
| Coordenadas: 13° 20′ 34″ S, 44° 38′ 13″ O | |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Bahia |
| Municípios limítrofes | Jaborandi, Santa Maria da Vitória, São Desidério e Posse (Goiás) |
| Distância até a capital | |
| Fundação | 15 de setembro de 1866 (160 anos)[1] |
| Emancipação | 5 de setembro de 1891 (135 anos) - de Carinhanha[1] |
| Distritos | Lista
|
| Governo | |
| • Prefeito(a) | Walter Mariano Messias de Souza (Mariano Correntina ) (UNIÃO, 2025–2028) |
| Área | |
| • Total [3] | 11 504,314 km² |
| Altitude | 575 m |
| População | |
| • Total (2024) [4] | 34 179 hab. |
| • Posição | BA: 85° |
| Densidade | 3 hab./km² |
| Clima | Tropical seco (Aw) |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| CEP | 47650-000[5] |
| IDH (PNUD/2010[6]) | 0,603 — médio |
| • Posição | BA: 140º |
| Gini (PNUD/2010[6]) | 0,59 |
| PIB (IBGE/2021[7]) | R$ 3 280 078,79 mil |
| • Posição | BA: 19º |
| • Per capita (IBGE/2021[7]) | R$ 101 729,95 |
| Sítio | www.correntina.ba.gov.br (Prefeitura) www.camaracorrentina.ba.gov.br (Câmara) |
Correntina é um município brasileiro no interior do estado da Bahia, Região Nordeste do país.
Fica localizada na região econômica do MATOPIBA (acrônimo para os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que é descrita como região de alto potencial em agricultura, mas ainda com grandes falhas em infraestrutura, em fase de início de desenvolvimento. Da qual o Estado da Bahia é destaque.
Topônimo
[editar | editar código]Seu nome vem do rio homônimo (o Rio Correntina), chamado também de Rio das Éguas.
História
[editar | editar código]Ocupações humanas antigas e povos indígenas
[editar | editar código]A ocupação humana da região correspondente ao atual município de Correntina é muito anterior à formação do povoado colonial que deu origem à cidade. Pesquisas realizadas no âmbito do Projeto Serra Geral, desenvolvido no sudoeste da Bahia e no leste de Goiás, identificaram diferentes formas de ocupação pré-colonial na bacia dos rios Corrente, Correntina e Formoso. Os levantamentos registraram sítios associados a caçadores-coletores do Holoceno, conjuntos de pinturas rupestres classificados pelos pesquisadores na chamada tradição São Francisco e assentamentos cerâmicos relacionados, segundo a terminologia arqueológica empregada nesses estudos, às tradições Una e Tupiguarani.[8]
O vale do rio Correntina foi uma das áreas diretamente investigadas. Entre os sítios conhecidos encontra-se o Cajueiro (BA-RC-19), situado às margens do córrego Cajueiro, próximo à sua confluência com o rio Correntina e a cerca de 50 quilômetros da cidade. O sítio apresenta um expressivo conjunto de artefatos de pedra lascada e foi posteriormente objeto de pesquisa específica destinada à análise das técnicas de produção e utilização desses instrumentos e das escolhas técnicas realizadas pelos grupos responsáveis por sua fabricação.[9]
Outros sítios demonstram a diversidade do registro existente no município. No baixo curso do rio Correntina foram pesquisados, entre outros, Remanso (BA-RC-25), Brejo dos Aflitos (BA-RC-26) e Ponte Velha (BA-RC-30). Em Brejo dos Aflitos foram registradas pequenas figuras antropomorfas nas paredes do abrigo e fragmentos cerâmicos na várzea situada à sua frente. Em Ponte Velha, uma escavação identificou materiais cerâmicos relacionados pelos pesquisadores à tradição Una, artefatos líticos, moluscos, ossos, carvão e pinturas rupestres.[10][9]
Essas evidências representam diferentes formas e momentos de utilização da paisagem e não um único episódio de povoamento. Abrigos rochosos, áreas abertas, cursos d'água e locais de obtenção de matérias-primas foram utilizados por diferentes populações ao longo do tempo.[8][10]
Uma síntese publicada em 2023 pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) registrou cerca de 40 sítios arqueológicos na Bacia dos rios Corrente e margem esquerda do Carinhanha, com presença especialmente significativa em Correntina, Cocos e Sítio do Mato. Na relação apresentada pela publicação constam onze registros localizados em Correntina, predominantemente classificados como pré-coloniais. A mesma publicação registra ainda a existência, no Museu Municipal de História Natural Raimundo Sales, de materiais provenientes de sítios da região.[11]
Fontes histórico-regionais mencionam também diferentes povos indígenas no território mais amplo da Bacia do Rio Corrente. Uma síntese da SEI registra os Massacrás, Pontás, Aracujás, Pimenteiras e Cariris entre os povos relacionados à ocupação da região anteriormente à expansão colonial.[12]
Essas denominações históricas não devem ser automaticamente identificadas com as classificações empregadas pelos arqueólogos. Termos como Una, Tupiguarani e tradição São Francisco correspondem a categorias construídas a partir de características da cultura material ou das manifestações rupestres, enquanto Massacrás, Pontás, Aracujás, Pimenteiras e Cariris são etnônimos provenientes de fontes históricas e etno-históricas. As pesquisas disponíveis não permitem estabelecer uma correspondência direta entre cada uma dessas categorias arqueológicas e os povos mencionados nas fontes escritas.[8][12]
Dessa forma, o registro arqueológico demonstra que as paisagens posteriormente incorporadas ao município já eram ocupadas e percorridas por populações indígenas muito antes do estabelecimento do núcleo colonial de Correntina.
Entradas, bandeiras e tradições sobre a ocupação colonial
[editar | editar código]A historiografia e a memória histórica local associam a penetração colonial na região às entradas e bandeiras que percorreram os sertões em busca de metais, pedras preciosas, mão de obra indígena e novas áreas de ocupação. A narrativa atualmente preservada pelo município menciona nominalmente Bartolomeu Bueno da Silva (1672–1740), Belchior Dias Moreira e Matias Cardoso de Almeida entre os sertanistas relacionados às primeiras incursões na região.[13]
A presença desses três nomes na tradição correntinense deve, contudo, ser compreendida dentro de cronologias distintas. Bartolomeu Bueno da Silva, conhecido como o segundo Anhanguera, partiu de São Paulo em 1722 em uma expedição dirigida aos sertões de Goiás em busca de ouro, integrando um movimento de exploração e ocupação do interior central da América Portuguesa.[14]
No caso de Belchior Dias Moreira, existe uma questão cronológica importante. Documentação conservada no Arquivo Histórico Ultramarino registra suas atividades de procura por metais na Bahia já no início do século XVII, incluindo uma carta régia de 1618 referente às minas de ouro que pretendia descobrir. Dessa forma, a atribuição local de expedições dos três personagens conjuntamente ao período entre 1700 e 1790 não pode ser aplicada literalmente a Belchior Dias Moreira.[15]
Matias Cardoso de Almeida, por sua vez, está documentado nas frentes de expansão colonial do vale do São Francisco durante as últimas décadas do século XVII. Documentos registram sua atuação militar e sua presença em povoações e fazendas no médio São Francisco, além de sua participação nas campanhas contra populações indígenas e na estruturação das rotas que posteriormente articularam os sertões baianos e mineiros.[16]
A documentação atualmente utilizada permite, portanto, situar esses personagens no processo mais amplo de expansão colonial pelos sertões, mas não demonstra com o mesmo grau de certeza a passagem pessoal de cada um pelo local onde posteriormente se formaria a cidade de Correntina. A referência aos três permanece relevante como parte da tradição historiográfica municipal, enquanto a formação de um núcleo permanente no território torna-se mais claramente documentada no final do século XVIII.
Mineração e formação do povoado
[editar | editar código]A formação do núcleo colonial que deu origem a Correntina esteve estreitamente relacionada à mineração de ouro. João Pandiá Calógeras registra que a mais antiga notícia de mineração aurífera então conhecida no rio das Éguas correspondia ao ano de 1791, quando a atividade teria sido realizada pelo padre Anacleto Pereira dos Santos.[17]
A historiografia regional registra também a atuação do baiano Francisco José Teixeira. Estudo sobre a formação dos núcleos urbanos do Oeste Baiano atribui a uma expedição chefiada por ele, por volta de 1792, em busca de ouro e pedras preciosas, papel importante no desenvolvimento do povoado de Nossa Senhora da Glória do Rio das Éguas. O mesmo processo teria estimulado atividades agropastoris destinadas ao abastecimento da população ligada às lavras.[18]
A narrativa histórica municipal acrescenta outro elemento ao processo de crescimento populacional: a chamada Seca Grande de 1791–1793, que teria provocado deslocamentos de moradores de áreas afetadas do Nordeste para outras regiões. Na tradição histórica de Correntina, esse movimento teria se somado à atração exercida pelas áreas de mineração e pela disponibilidade de água.[13]
A exploração mineral exigia abastecimento, animais, alimentos e serviços, favorecendo a fixação de moradores e a diversificação das atividades econômicas. Dessa forma, mineração, agricultura e criação de animais passaram a integrar o processo de formação do núcleo de povoamento.[18]
Segundo Calógeras, por volta de 1800 moradores das margens do curso d'água então denominado Rio Rico chegaram a modificar seu leito para a exploração dos depósitos auríferos. O autor menciona locais conhecidos como Buraco do Gusmão, Riacho do Cotovelo, Tamarana e Riacho Vermelho e informa que as aluviões do rio continuaram sendo trabalhadas durante o século XIX.[17]
Rio Rico, Rio das Éguas e Nossa Senhora da Glória
[editar | editar código]A memória local preserva uma tradição específica para a mudança do nome Rio Rico para Rio das Éguas e para a origem da devoção a Nossa Senhora da Glória. Segundo a narrativa registrada pela Prefeitura de Correntina, um grupo de éguas pertencente ao fazendeiro Joaquim Amorim Castro da Gama teria desaparecido. Sua esposa, Caetana C. Brandão, de Carinhanha, teria então feito uma promessa a Nossa Senhora da Glória, comprometendo-se a construir uma igreja no local onde os animais fossem encontrados. As éguas teriam sido localizadas às margens do Rio Rico e, de acordo com essa tradição, o episódio estaria relacionado tanto à construção da primeira igreja dedicada a Nossa Senhora da Glória quanto à denominação posterior do curso d'água.[13]
A narrativa possui caráter de tradição histórica local e deve ser distinguida das informações documentalmente estabelecidas sobre a mineração. Calógeras confirma que o curso posteriormente denominado rio das Éguas havia sido conhecido como Rio Rico, mas não relaciona a mudança do topônimo ao episódio dos animais.[17]
Com o crescimento da povoação, em 1806 foi instalada a paróquia de Nossa Senhora da Glória do Rio Rico. Posteriormente, a denominação Rio das Éguas passou a ser empregada para o povoado e para a unidade administrativa que nele se formou.[17]
Disputas territoriais entre Bahia e Goiás
[editar | editar código]A exploração aurífera ocorreu numa região próxima à atual divisa entre Bahia e Goiás, quando os limites administrativos internos da América Portuguesa ainda passavam por processos de definição.
A tradição histórica municipal registra um conflito entre exploradores baianos e autoridades de Goiás em torno da jurisdição sobre as áreas auríferas. Segundo essa narrativa, o ouvidor de Goiás teria autorizado a entrada de mineradores goianos na área, provocando conflito com os grupos anteriormente estabelecidos. A disputa entre as duas jurisdições teria sido submetida ao Conselho Ultramarino, cuja intervenção teria favorecido a jurisdição da Bahia.[13]
Por se tratar de episódio preservado principalmente nas sínteses históricas municipais utilizadas para a história de Correntina, a narrativa deve ser apresentada como uma versão historiográfica local enquanto não forem individualizados no verbete os documentos coloniais que fundamentam cada etapa do litígio.
O episódio, independentemente de seus detalhes ainda sujeitos a aprofundamento documental, insere-se num contexto regional mais amplo de articulação entre os sertões do São Francisco e Goiás, cujas rotas de circulação, mineração e criação de gado atravessavam territórios que posteriormente seriam separados por limites provinciais e estaduais.[16]
Freguesia, vila e formação do município
[editar | editar código]Durante o século XIX, o antigo núcleo minerador consolidou-se como centro religioso e administrativo. Pela Lei Provincial nº 973, de 15 de maio de 1866, foi criado o município, com território desmembrado de Carinhanha, e a povoação foi elevada à categoria de vila com o nome de Vila de Nossa Senhora da Glória do Rio das Éguas. A instalação do município ocorreu em 13 de maio de 1867.[19]
A organização administrativa não se estabilizou imediatamente. A Resolução Provincial nº 1.960, de 8 de junho de 1880, suprimiu o município e transferiu a sede da freguesia e o título de vila para o Arraial do Porto de Santa Maria da Vitória, criando o município com esse nome.[19]
Em 14 de maio de 1886, a Resolução Provincial nº 2.558 revogou a medida anterior e restaurou o município, fazendo retornar a sede para Rio das Éguas. Em 4 de maio de 1888, a Resolução Provincial nº 2.579 suprimiu novamente o município.[19]
A restauração definitiva ocorreu já durante o período republicano. Em 5 de maio de 1891, o governador da Bahia José Gonçalves da Silva assinou o Ato Estadual nº 319, pelo qual o município foi novamente restaurado, com sede no povoado do Rio das Éguas e com o nome de Correntina.[19]
A sucessão de criação, supressões e restaurações administrativas revela também a importância assumida por diferentes núcleos urbanos do Oeste Baiano ao longo do século XIX, especialmente Correntina e Santa Maria da Vitória.
Correntina no século XX
[editar | editar código]Em 2 de março de 1938, o Decreto-Lei Federal nº 311, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, estabeleceu normas gerais para a divisão territorial do país. No mesmo contexto, o Decreto Estadual nº 10.724, de 30 de março de 1938, assinado pelo interventor federal Landulfo Alves, conferiu à vila de Correntina o foro de cidade. A administração municipal estava então sob responsabilidade do intendente major Félix Joaquim de Araújo. Segundo a memória municipal, a mudança somente foi comemorada em 1º de janeiro de 1939, em razão das dificuldades de comunicação existentes na época.[19][13]
O território de Correntina sofreu ainda alterações durante o século XX. Pela Lei Estadual nº 4.438, de 9 de maio de 1985, o então distrito de Jaborandi foi elevado à categoria de município e desmembrado de Correntina, sendo instalado em 12 de maio de 1986.[20]
A partir da segunda metade do século XX, Correntina participou das transformações econômicas que atingiram o Oeste Baiano, com expansão das vias de circulação, mecanização agrícola e incorporação de extensas áreas de Cerrado à agricultura empresarial. A SEI registra especialmente a partir da década de 1960 a chegada de agricultores de outras regiões do país e o surgimento de conflitos fundiários entre novos ocupantes e agricultores familiares locais.[12]
Essas transformações modificaram tanto a economia quanto as formas de ocupação do território, aumentando a importância regional da produção de grãos e da agricultura irrigada e, ao mesmo tempo, tornando a terra e os recursos hídricos temas recorrentes dos conflitos sociais da região.
Patrimônio cultural e proteção institucional
[editar | editar código]A proteção do patrimônio cultural de Correntina ocorre por diferentes instrumentos jurídicos, que não se confundem necessariamente com o tombamento. Na esfera federal, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) diferencia o tombamento de outras formas de reconhecimento e proteção, como o registro, o inventário e o cadastro arqueológico.[21] Correntina não figura entre os conjuntos urbanos tombados pelo IPHAN na Bahia relacionados pela Superintendência estadual do instituto, que inclui cidades e núcleos como Salvador, Cachoeira, Itaparica, Lençóis, Monte Santo, Mucugê, Porto Seguro, Rio de Contas, São Félix e Igatu, em Andaraí.[22]
Os numerosos sítios arqueológicos existentes no município encontram-se em situação jurídica diferente dos bens submetidos ao tombamento. A legislação brasileira estabelece proteção específica ao patrimônio arqueológico, e o IPHAN é responsável por seu reconhecimento e cadastro. O instituto informa que os sítios registrados no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG) e os registros legados do Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA) integram o sistema federal de identificação desse patrimônio.[23] O próprio IPHAN ressalta que apenas alguns bens arqueológicos, considerados de caráter excepcional, receberam adicionalmente tombamento federal, permanecendo os demais protegidos pela legislação arqueológica independentemente desse instrumento.[24]
Na esfera estadual, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) utiliza o tombamento como instrumento de proteção de bens materiais, conforme a legislação estadual.[25] No relatório de patrimônio material sob salvaguarda do Estado disponibilizado pelo IPAC, o Território de Identidade Bacia do Rio Corrente, do qual Correntina faz parte, aparece com zero bens móveis e zero bens imóveis tombados em âmbito estadual.[26]
No âmbito municipal, a Lei Orgânica de Correntina atribui ao poder público local o dever de proteger documentos, obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, monumentos, paisagens naturais notáveis e sítios arqueológicos, em articulação com os governos estadual e federal. A mesma norma determina que as iniciativas de proteção do patrimônio histórico-cultural sejam estabelecidas em lei.[27] As fontes públicas consultadas não permitem, contudo, equiparar automaticamente os bens e instituições reconhecidos pela memória cultural local a bens formalmente tombados pelo município, sendo necessária a existência de ato jurídico específico para essa classificação.
Entre as instituições de reconhecida importância para a memória cultural correntinense encontra-se a Filarmônica Erato-Correntinense, fundada em 1909. Em 2026, ao registrar os 117 anos da instituição, a Prefeitura a descreveu como uma das mais antigas expressões culturais ainda em atividade no município e como um patrimônio cultural vivo de Correntina, destacando sua participação em celebrações religiosas, festas tradicionais, atividades cívicas e formação musical. Tal reconhecimento cultural não equivale, por si só, ao tombamento jurídico do bem.[28]
Transformações territoriais e conflitos pelo uso da água
[editar | editar código]Nas últimas décadas do século XX e no início do XXI, a expansão da agricultura irrigada fez do uso da água uma das principais questões sociais e ambientais de Correntina. No município coexistem grandes empreendimentos agrícolas, agricultores familiares e comunidades tradicionais cuja produção e reprodução social estão diretamente relacionadas aos rios, córregos, veredas e águas subterrâneas.
Essas tensões alcançaram repercussão nacional em novembro de 2017. Em 2 de novembro, um grupo de centenas de pessoas ocupou instalações agrícolas no distrito de Rosário, em uma ação de protesto relacionada ao uso dos recursos hídricos. Durante a ocupação foram danificados equipamentos, tratores, instalações e estruturas de irrigação.[29]
O episódio estava inserido numa controvérsia mais ampla sobre os volumes de água destinados à irrigação, as outorgas de uso, a expansão do desmatamento e seus possíveis efeitos sobre as vazões dos rios. Por essa razão, a caracterização do conflito apenas como resultado de uma captação de água irregular não representa adequadamente as diferentes posições envolvidas: movimentos sociais questionavam a escala e os efeitos das captações, enquanto o uso da água por empreendimentos agrícolas também era objeto de procedimentos administrativos de outorga.[29]
Em 11 de novembro de 2017, milhares de pessoas participaram de uma manifestação nas ruas de Correntina em defesa das águas e do Cerrado. As estimativas de público variaram entre as fontes, mas o ato teve dimensão expressiva em relação à população municipal e ampliou a repercussão nacional da discussão sobre a gestão dos recursos hídricos da Bacia do Rio Corrente.[30][29]
O conflito de 2017 tornou-se, assim, um dos episódios mais visíveis de um processo histórico mais amplo de transformação territorial no Oeste Baiano, no qual diferentes formas de produção, ocupação da terra e uso dos recursos naturais passaram a disputar espaço na mesma paisagem.
Geografia
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O município de Correntina está localizado na porção oeste do estado, à latitude 13°20'34" sul e à longitude 44°38'13" oeste, estando a uma altitude de 575 metros. Situa-se na Região Geográfica Intermediária de Barreiras e Região Geográfica Imediata de Santa Maria da Vitória.[31] localizando-se próximo a divisa com o estado de Goiás. Ocupa uma área total de 11 504,314 km², representando quase 3% do total do estado. Seu território tem como limites as cidades de Jaborandi, Santa Maria da Vitória (em território baiano) e Posse (em território goiano). Está localizado no Oeste Baiano a 914 km de Salvador, a 527 km de Brasília e a 166,2 km (BR-135) ou 209 km (BR-135/242) de Barreiras, a principal cidade da região.[32]
Banhada pelos rios Corrente, Arrojado, Santo Antônio, Guará e Rio do Meio, todos de águas cristalinas, sendo o principal o rio Correntina, cujo leito corta o centro da cidade, onde está a Ilha do Ranchão, de encantos e magia, cartão postal da cidade, bastante visitada durante todo o ano e principalmente no período de carnaval. Logo a 1.200 metros do centro da cidade há o arquipélago “Sete Ilhas”, descrito como tendo uma beleza incomparável. Os outros rios banham quase todos os povoados do município, que impressionam pelas suas riquezas hídricas e naturais, como: Cachoeiras, Veredas, Paredões, Morros e Grutas.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1977 a menor temperatura registrada em Correntina foi de 6,3 °C em 23 de julho de 2006 e a maior atingiu 41,1 °C em 22 de outubro de 2015 e 8 de outubro de 2020. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 122,9 milímetros (mm) em 4 de fevereiro de 1992. Desde novembro de 2007, a maior rajada de vento chegou a 25 m/s (90 km/h) em 22 de julho de 2008. No mesmo ano, também foi registrado o menor índice de umidade relativa do ar (URA), de 9%, nas tardes dos dias 15 de setembro, 2 e 6 de outubro e 3 de novembro.[33][34]
| Dados climatológicos para Correntina | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez | Ano |
| Temperatura máxima recorde (°C) | 38,4 | 37,5 | 38,6 | 37,3 | 36,9 | 36,9 | 35,3 | 38,1 | 41,2 | 41,1 | 40,5 | 38,8 | 41,2 |
| Temperatura máxima média (°C) | 31 | 31,4 | 30,9 | 31,1 | 31,3 | 30,4 | 30,6 | 31,8 | 33,6 | 34,1 | 31,8 | 30,8 | 31,6 |
| Temperatura média compensada (°C) | 24,7 | 25 | 24,6 | 24,5 | 23,6 | 21,9 | 22 | 23,2 | 25,7 | 26,7 | 25,5 | 24,8 | 24,4 |
| Temperatura mínima média (°C) | 19,9 | 20 | 20 | 19,3 | 17,2 | 14,5 | 14,2 | 14,9 | 18,2 | 20,3 | 20,6 | 20,1 | 18,3 |
| Temperatura mínima recorde (°C) | 11,6 | 13,2 | 12 | 11 | 8,8 | 7,7 | 6,3 | 8,3 | 9,2 | 10,8 | 12,2 | 14,9 | 6,3 |
| Precipitação (mm) | 130 | 104,4 | 145,5 | 62,2 | 9 | 0,5 | 0,3 | 2,3 | 10,2 | 74,2 | 164,7 | 220,8 | 923,9 |
| Dias com precipitação (≥ 1 mm) | 9 | 8 | 11 | 5 | 1 | 0 | 0 | 0 | 2 | 6 | 12 | 13 | 67 |
| Umidade relativa compensada (%) | 77,9 | 76 | 77,2 | 73,8 | 68,4 | 64 | 59,9 | 54,7 | 50,1 | 57,8 | 72 | 77,2 | 67,4 |
| Insolação (h) | 224,4 | 204 | 222,4 | 240,5 | 264,8 | 271,5 | 284 | 299,2 | 276,4 | 241,8 | 180,6 | 190,3 | 2 899,9 |
| Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) (normal climatológica de 1981-2010; recordes de temperatura: 06/06/1977-presente)[33][34][35] | |||||||||||||
Demografia
[editar | editar código]Sua população no censo demográfico de 2010 era de 31 249 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sendo então o 87º mais populoso do estado e segundo de sua microrregião.
Já sua população conforme estimativas do IBGE de 2020 eram de 32 191[4] habitantes.
Economia
[editar | editar código]Correntina possui a 26º maior economia do estado da Bahia em 2018, estando caracterizada também como a 669ª maior economia do Brasil. Sua região é responsável por sessenta por cento da produção de grãos do estado, sua renda per capita é uma das maiores do Brasil. Porém, em razão da ausência de políticas públicas adequadas, o índice de desemprego e pobreza é altíssimo, o que leva os jovens a procurarem outros destinos, tais como Brasília e Goiânia.
Segundo dados do IBGE, em 2018 seu Produto Interno Bruto foi de R$ 1 944 161,68 mil e o PIB per capita era de R$ 60 601,65.[7]
Agricultura
[editar | editar código]Sua agricultura é pujante, diversificada e de grande produtividade, possuindo grandes áreas irrigadas. Sua pecuária é de alta qualidade tanto na área genética como tecnológica. O Oeste da Bahia passa a ser o mais importante espaço nordestino receptor de imigrantes. Os vales, antes caracterizados pela pequena exploração agrícola familiar em minifúndios, começam a serem identificados como áreas bastante promissoras para o cultivo de frutas. Esta nova dinâmica possibilitou as potencialidades, em sua grande parte ainda inexploradas, e expôs a região a crises características dos períodos iniciais das áreas e expansão de fronteira econômica.
O município possui grandes áreas inexploradas, próprias para agricultura e pecuária.
Turismo
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Durante a tarde bandas locais animam os principais pontos turísticos Ranchão e Sete Ilhas, fim de tarde a bandinha sai às ruas tocando os temas tradicionais do carnaval e durante a noite trios elétricos percorrem o centro da cidade levando centenas de foliões.
O carnaval da cidade de Correntina tem atraído excursões dos estados de Minas Gerais, Goiás, e principalmente do Distrito Federal. Estes estão vindo em ônibus fretados, que lotam as pousadas e residências particulares, aproveitando a oportunidade para transformar suas casas em apoio aos excursionistas.
No carnaval de 2011 estiveram presentes em Correntina mais de 50 ônibus especiais de excursionistas, num verdadeiro turismo social, principalmente das cidades satélites do DF, por se localizar a 500 km de Brasília. Isto sem contar na média de 1 000 automóveis particulares com placas do DF.[carece de fontes]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- 1 2 3 «Histórico - IBGE». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 23 de outubro de 2018
- ↑ «Guia de distância entre cidades da Bahia». Aondefica.com. Consultado em 9 de julho de 2011. Cópia arquivada em 21 de agosto de 2019
- ↑ IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2026
- 1 2 «Estimativas da população residente para os municípios e para as unidades da federação - IBGE». www.ibge.gov.br. Consultado em 11 de setembro de 2024. Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2026
- ↑ «CEP de cidades brasileiras». Correios. Consultado em 31 de Julho de 2008. Cópia arquivada em 17 de setembro de 2026
- 1 2 «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 16 de agosto de 2013. Cópia arquivada em 31 de agosto de 2016
- 1 2 3 «Produto Interno Bruto dos Municípios - 2010 à 2021». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 1º de janeiro de 2024. Cópia arquivada em 11 de agosto de 2026
- 1 2 3 Schmitz, Pedro Ignácio; Barbosa, Altair Sales (1994). «Prospecções arqueológicas no sudoeste da Bahia: Projeto Serra Geral». Revista de Arqueologia. 8 (1): 173–181. doi:10.24885/sab.v8i1.473
- 1 2 Ramalho, Juliana Betarello (2013). O artesanato da pedra lascada no sítio Cajueiro, Correntina-BA: tecnologia lítica (Dissertação de mestrado). Laranjeiras: Universidade Federal de Sergipe. 234 páginas
- 1 2 Schmitz, Pedro Ignácio (1996). Arqueologia nos Cerrados do Brasil Central: sudoeste da Bahia e leste de Goiás. Col: Pesquisas, Antropologia. 52. São Leopoldo: Instituto Anchietano de Pesquisas
- ↑ Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (2023). Uso e Cobertura das Terras: Bacia dos Rios Corrente e Margem Esquerda do Carinhanha, Bahia. Col: Série Estudos e Pesquisas, 107. Salvador: SEI
- 1 2 3 Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (2018). Perfil dos Territórios de Identidade da Bahia. 3. Salvador: SEI
- 1 2 3 4 5 Prefeitura Municipal de Correntina. História do Município. Consultado em 25 de setembro de 2026.
- ↑ Câmara Municipal de Caldas Novas. Bartolomeu Bueno da Silva Filho. Consultado em 25 de setembro de 2026.
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<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas "IBGE_DTB_2017" - ↑ «Barreiras, capital do oeste baiano». clubedovendedor. Clube do Vendedor. Consultado em 15 de junho de 2017. Cópia arquivada em 8 de agosto de 2017
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- ↑ https://twitter.com/extremetemps/status/1440794481473720331



