Penguin Books
| Penguin Books Limited | |
|---|---|
| Atividade | Publicação de livros |
| Fundação | 1935 |
| Fundador(es) | Allen Lane Richard Lane John Lane |
| Sede | Westminster, Londres, Inglaterra, Reino Unido |
| Área(s) servida(s) | Reino Unido, Irlanda, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Índia, África do Sul, Alemanha, Portugal, Brasil e países de língua castelhana |
| Proprietário(s) | Bertelsmann |
| Pessoas-chave | Markus Dohle (CEO) Thomas Rabe (presidente) Madeline McIntosh (CEO da PRH nos Estados Unidos) Tom Weldon (CEO da PRH no Reino Unido) Allison Dobson (presidente do Penguin Publishing Group nos Estados Unidos) Jen Loja (presidente da Penguin Young Readers nos Estados Unidos) |
| Empregados | 10.000[1] |
| Produtos | Livros |
| Empresa-mãe | Penguin Random House (desde 1 de julho de 2013)[2] |
| Divisões | Penguin Classics Viking Press |
| Receita | € 3,4 bilhões[1] |
| Website | https://www.penguin.co.uk/ |
Penguin Books Limited é uma editora britânica fundada em 1935 por Allen Lane com seus irmãos Richard e John.[3] Criada inicialmente como um selo da The Bodley Head, a Penguin tornou-se uma empresa independente no ano seguinte.[4] Na década de 1930, seus livros de bolso baratos, vendidos pela Woolworths e por outras lojas por seis pence, levaram obras de ficção e não ficção a um público muito maior.[5][6] Quando os primeiros livros de bolso da Penguin chegaram às lojas em 1935, custavam apenas seis pence, o mesmo preço de um maço de cigarros, o que tornou obras literárias de qualidade acessíveis ao mercado de massa.[7] O sucesso mostrou que havia um grande público para livros de conteúdo mais exigente. As publicações da editora sobre política, artes e ciência também alcançaram ampla circulação na sociedade britânica.[8]
Penguin Books é um selo da multinacional Penguin Random House, grupo formado em 2013 pela fusão do Penguin Group com a editora norte-americana Random House, então subsidiária do grupo alemão de mídia Bertelsmann.[9] O Penguin Group pertencia integralmente à Pearson PLC, empresa britânica de mídia que também controlava o Financial Times.[10] Na criação da Penguin Random House, a Pearson ficou com 47% da nova companhia. Sua participação caiu para 25% em julho de 2017. Desde abril de 2020, a Penguin Random House pertence integralmente à Bertelsmann. A empresa integra o grupo das cinco maiores editoras de língua inglesa, ao lado de Holtzbrinck-Macmillan, Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster.[11]
A sede registrada da Penguin Books fica em Westminster, em Londres.[12][13]
Origens
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Os primeiros livros de bolso da Penguin foram publicados em 1935, inicialmente como um selo da The Bodley Head, que tinha sede na Vigo Street, em Londres. Os livros eram distribuídos a partir da cripta da igreja Holy Trinity Church Marylebone.[14][4]
Lane contou que a baixa qualidade do material de leitura à venda na estação ferroviária Exeter St Davids lhe dera a ideia de criar livros baratos, bem projetados e de boa qualidade para um público amplo.[15][16] A questão de como as editoras poderiam alcançar mais leitores fora discutida em uma conferência em Rippon Hall, Oxford, em 1934, da qual Lane participou. Naquele período, a publicação de literatura em brochuras de baixo preço era ligada sobretudo à ficção popular barata. A marca Penguin, porém, também tomou como referência o breve selo Albatross, que publicou reedições britânicas e norte-americanas em 1932.[17] Quando Lane disse que queria um mascote "digno, mas irreverente", sua secretária Joan Coles propôs o pinguim. Os irmãos Lane, Allen, Dick e John, escolheram então o nome Penguin Books.[18]
Os livros de bolso baratos não pareciam inicialmente viáveis para a Bodley Head, pois o preço deliberadamente baixo de seis pence tornava incerta a obtenção de lucro. Essa percepção permitiu que Lane comprasse direitos de publicação de algumas obras por valores menores do que provavelmente conseguiria em outras circunstâncias, já que os editores não esperavam que o negócio durasse. A resistência do comércio livreiro tradicional começou a ceder quando a Woolworths comprou 63.000 exemplares. A encomenda pagou o projeto, confirmou sua viabilidade comercial e permitiu que Lane criasse a Penguin como empresa separada em 1936.[19][20] Em março de 1936, dez meses depois do lançamento da empresa em 30 de julho de 1935, um milhão de livros Penguin já haviam sido impressos.
A Penguin publicou apenas edições em brochura até a estreia da série King Penguin em 1939. Mais tarde iniciou a Pelican History of Art. Como o comprimento e o grande número de ilustrações impressas em papel especial tornavam essas obras pouco adequadas ao formato de bolso, elas receberam encadernação em tecido.[21]
A Penguin Books Inc. foi constituída em 1939 para atender à legislação de direitos autorais dos Estados Unidos. Apesar de entrar tarde em um mercado de livros de bolso já estabelecido, teve bons resultados sob o vice-presidente Kurt Enoch com títulos como What Plane Is That e The New Soldier Handbook. A expansão trouxe Eunice Frost para a empresa. Ela entrou como secretária, tornou-se editora e depois diretora, participando da condução da companhia.[22] Em 1945, recebeu a tarefa de reconstruir a Penguin Inc. depois da saída de seu primeiro diretor-geral, Ian Ballantine.[23]
O projeto gráfico foi uma parte central da fórmula da Penguin. Em vez das capas ilustradas e chamativas de outras editoras de livros de bolso, a empresa adotou um desenho simples formado por três faixas horizontais. As faixas superior e inferior recebiam cores diferentes conforme a série a que o título pertencia, desenho às vezes chamado de grade horizontal. No painel branco central, o nome do autor e o título eram impressos em Gill Sans. Na faixa superior havia um cartucho com a inscrição "Penguin Books". O primeiro desenho foi criado por Edward Young, então com 21 anos e funcionário iniciante do escritório, que também desenhou a primeira versão do logotipo do pinguim. Séries como Penguin Specials e The Penguin Shakespeare receberam desenhos próprios. Em 1937, apenas S1 e B1-B18 haviam sido publicados.
O esquema de cores usava laranja e branco para ficção geral, verde e branco para ficção policial, rosa-cereja e branco para viagens e aventuras, azul-escuro e branco para biografias, amarelo e branco para obras diversas, vermelho e branco para teatro, o menos frequente roxo e branco para ensaios e belles-lettres, e cinza e branco para assuntos internacionais. Lane resistiu durante anos à introdução de imagens nas capas. Algumas edições mais recentes de obras daquela época reproduziram o visual original. Em 1937, a sede da Penguin foi instalada em Harmondsworth, Middlesex, área que passou a fazer parte da Grande Londres.
Anos de guerra
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Durante a Segunda Guerra Mundial, a Penguin ganhou presença em todo o país. Embora não tivesse função oficial no esforço de guerra, participou dele com manuais de grande venda, entre eles Keeping Poultry and Rabbits on Scraps e Aircraft Recognition, e com o fornecimento de livros às Forças Armadas e a prisioneiros de guerra britânicos. A Penguin imprimiu cerca de 600 títulos e iniciou 19 séries.[24] A procura por livros cresceu enormemente e a editora ficou em posição especialmente favorável entre suas concorrentes.[25]
O racionamento de papel foi um dos principais problemas das editoras durante a guerra. A queda da França interrompeu o fornecimento de esparto, uma das matérias-primas da celulose usada pela Penguin. Quando o racionamento começou em março de 1940, o Ministério do Abastecimento atribuiu a cada editora uma cota calculada como porcentagem da quantidade utilizada entre agosto de 1938 e agosto de 1939.[26] A regra favoreceu a Penguin, que imprimia em grandes tiragens e tivera um ano de vendas muito forte. Em outro acordo, desta vez com o Governo do Canadá, a Penguin aceitou publicar com exclusividade edições para as forças armadas canadenses e recebeu o pagamento em toneladas de papel.[27]
Em janeiro de 1942 entraram em vigor as normas do Book Production War Economy Agreement, que determinaram regras para a qualidade do papel, tamanho da tipografia e margens. A Penguin eliminou as sobrecapas, reduziu as margens e substituiu encadernações costuradas por grampos metálicos. Além da piora visível no acabamento, tornou-se praticamente impossível publicar livros com mais de 256 páginas, e alguns títulos saíram de catálogo por falta de material.[28] Além de sua cota de papel, em 1941 a Penguin fechou um acordo com o War Office, por meio dos contatos de Bill William com o Army Bureau of Current Affairs e o Arts Council of Great Britain, para fornecer livros às tropas pelo chamado Forces Book Club. Em troca de dez títulos por mês, cada um com tiragem de 75.000 exemplares e preço de 5 pence, a Penguin recebia cerca de 61 toneladas de papel por mês.[29]
No início, cada livro de bolso trazia no rodapé da quarta capa a mensagem "PARA AS FORÇAS ARMADAS - Depois de ler este livro, deixe-o em uma agência dos correios, para que homens e mulheres em serviço também possam aproveitá-lo". O leitor era convidado a utilizar o envio gratuito de livros às tropas oferecido pelo Royal Mail. Como a procura no mercado interno ultrapassava a oferta, Lane buscou exclusividade sobre livros para o Exército produzidos especificamente para distribuição no exterior. O fornecimento de papel já garantido deixou a Penguin em posição favorável depois da guerra, quando o racionamento prosseguiu. Somada à popularidade da empresa, essa vantagem levou concorrentes a ceder à Penguin direitos para reedições em formato de bolso.[29]
Depois da guerra
[editar | editar código]Em 1945, a Penguin iniciou a coleção Penguin Classics com uma tradução da Odisseia, de Homero, feita por E. V. Rieu. Entre 1947 e 1949, o tipógrafo alemão Jan Tschichold reformulou o desenho de 500 livros da Penguin. Ao sair da editora, deixou um conjunto de regras reunidas sob o título Penguin Composition Rules, um folheto de quatro páginas com instruções de tipografia para editores e compositores. Seu trabalho abrangeu as capas ilustradas com xilogravuras da série de clássicos, também chamada de série do medalhão. Com Hans Schmoller, que mais tarde o sucedeu na Penguin, Tschichold criou ainda capas de grade vertical que se tornaram o padrão para a ficção da editora durante a década de 1950. O mercado britânico de livros de bolso crescia e a Penguin passou a disputar leitores com a então jovem Pan Books. A editora lançou ainda séries como The Buildings of England, Pelican History of Art e Penguin Education.
Em 1949, Harry F. Paroissien, então vice de sir Allen Lane, foi enviado por ele aos Estados Unidos para instalar a Penguin Books em Baltimore, Maryland.
Por volta de 1960, mudanças empresariais, editoriais e gráficas começaram a alterar o rumo da companhia. Em 20 de abril de 1961, a Penguin abriu seu capital na Bolsa de Valores de Londres. Allen Lane passou a ter menos peso na administração, embora permanecesse como diretor-geral. Técnicas como a fotocomposição e a impressão offset substituíram a composição em metal quente e a impressão tipográfica. Os custos caíram e tornou-se possível imprimir imagens e texto no mesmo tipo de papel, abrindo espaço para fotografias e novas soluções gráficas nas capas dos livros de bolso. Em maio de 1960, Tony Godwin foi contratado como consultor editorial e logo assumiu como editor-chefe, de onde procurou ampliar o catálogo e acompanhar mudanças no design gráfico. Em janeiro de 1961 contratou Germano Facetti, que reformulou a aparência dos livros da Penguin. O trabalho começou pela coleção policial. Facetti consultou designers, entre eles Romek Marber, sobre uma nova capa. A proposta de Marber, que passou a ser chamada de grade Marber, conservava o tradicional código de cores da Penguin, mas substituía as três faixas horizontais. O desenho orientou as capas da editora durante os vinte anos seguintes. Facetti aplicou o sistema à coleção policial, à ficção laranja e depois às séries Pelican, Penguin Modern Classics, Penguin Specials e Penguin Classics, criando uma aparência comum para o catálogo. Peregrine, Penguin Poets, Penguin Modern Poets e Penguin Plays seguiram caminhos gráficos um pouco diferentes. Ao todo, foram publicadas mais de cem séries.
Assim como Lane havia percebido a procura por livros de bolso na década de 1930, sua decisão de publicar Lady Chatterley's Lover, de D. H. Lawrence, em 1960 ampliou a visibilidade da Penguin. O romance ainda não havia sido publicado no Reino Unido e levou ao esperado processo por obscenidade, R v Penguin Books Ltd. A ação judicial aproximou a imagem da Penguin da defesa da liberdade editorial e ajudou a impulsionar a venda de pelo menos 3,5 milhões de exemplares. A vitória da editora antecedeu o fim da censura de livros no Reino Unido, embora as últimas restrições ao texto impresso só tenham sido derrotadas depois do julgamento de Inside Linda Lovelace, em 1978.
Aquisição pela Pearson
[editar | editar código]No fim da década de 1960, a Penguin enfrentava problemas financeiros e recebeu propostas de reorganização. Entre elas estavam a propriedade por um consórcio de universidades e um controle conjunto pela Cambridge University Press e pela Oxford University Press, mas nenhuma foi adiante.[30] Sir Allen Lane morreu em 7 de julho de 1970. Seis semanas depois, em 21 de agosto, a Pearson PLC comprou a Penguin.[31] A administração passou a dedicar mais atenção à rentabilidade. Germano Facetti deixou a empresa em 1972, encerrando a fase do design da Penguin iniciada na década anterior. Em 1975, a Penguin fundiu suas operações com a antiga editora norte-americana Viking Press.
A primeira livraria Penguin abriu em Covent Garden em 1980.[32] Em 1985, a Penguin comprou a editora britânica de livros de capa dura Michael Joseph e, no ano seguinte, a Hamish Hamilton.[33][31] Depois dessas aquisições, transferiu os escritórios para o centro de Londres, no número 27 da Wrights Lane, W8 5TZ. Assim, "Harmondsworth" deixou de constar como local de publicação depois de meio século. O depósito de Harmondsworth permaneceu em atividade até 2004.
Ainda em 1986, a Penguin comprou a editora norte-americana New American Library, NAL, e sua afiliada de livros de capa dura, E. P. Dutton.[34] A New American Library havia sido a Penguin U.S.A. e se separara em 1948 por causa da grande dificuldade das normas de importação e exportação. A Penguin recomprou a empresa para ampliar sua presença no mercado norte-americano. Para a NAL, a operação oferecia entrada mais ampla em mercados internacionais.[34][35]
A Penguin publicou Denying the Holocaust, de Deborah Lipstadt, livro que acusava David Irving de negacionismo do Holocausto. Irving processou Lipstadt e a Penguin por difamação em 1998, mas perdeu o caso, conhecido como Irving v Penguin Books and Lipstadt. Outros títulos da editora atraíram atenção da imprensa e controvérsia, entre eles Massacre, de Siné, Spycatcher, cuja circulação no Reino Unido foi impedida pelo governo durante certo período, e The Satanic Verses, de Salman Rushdie. Este último levou o autor a permanecer escondido durante anos depois de o aiatolá Ruhollah Khomeini, do Irã, emitir uma fátua que equivalia a uma sentença de morte contra ele.
Em 2006, a Penguin tentou envolver o público na escrita colaborativa de um romance usando uma plataforma wiki. O projeto recebeu o nome A Million Penguins. Em 7 de março de 2007, o blog da Penguin Books UK anunciou seu encerramento.[36]
Em 2014, Madeline McIntosh criou a Penguin Hotline.[37] Em maio de 2017, uma placa comemorativa laranja foi inaugurada na estação ferroviária de Exeter para lembrar a atuação de Lane no mercado editorial.[38]
Selos e séries
[editar | editar código]Penguin Classics
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Dentro da proposta de levar obras canônicas a leitores de massa, a Penguin entrou pela primeira vez na publicação de clássicos em maio de 1938 com Penguin Illustrated Classics.[39] A economia obtida com títulos que não exigiam pagamento de direitos autorais foi investida na encomenda de xilogravuras a Robert Gibbings e artistas de seu círculo na Central School of Arts and Crafts. Os livros se distinguiam do restante do catálogo pela grade vertical, que antecipava a solução adotada por Tschichold em 1951, e pelo uso da fonte Albertus. A série não deu retorno financeiro e foi encerrada depois de apenas dez volumes, no mesmo ano em que começou. A Penguin voltou aos clássicos em 1946, com a tradução da Odisseia feita por E. V. Rieu. A edição vendeu três milhões de exemplares.[40]
A motivação comercial da Penguin continuava voltada a tornar os livros acessíveis a um público grande. Traduzir os clássicos para um inglês moderno e fácil de ler era, porém, uma tarefa difícil, e o resultado nem sempre agradava aos críticos.[41] Rieu explicou seu trabalho da seguinte maneira: "Fiz o possível para tornar Homero uma leitura fácil para quem não conhece o mundo grego."[42] Em 1959, Betty Radice entrou na coleção como assistente de Rieu. Depois da aposentadoria dele, em 1964, tornou-se coeditora com Robert Baldick. À medida que o foco editorial passou das necessidades do mercado às salas de aula, as críticas aumentaram. Thomas Gould escreveu sobre a coleção: "A maioria dos volumes filosóficos da série Penguin é ruim, alguns são muito ruins. Como Platão e Aristóteles são os filósofos mais lidos no mundo e algumas dessas traduções Penguin são preferidas por filósofos profissionais em diferentes países, isso equivale a uma pequena crise na história da filosofia."[43]
O selo publica centenas de clássicos, de autores gregos e romanos à literatura vitoriana e aos clássicos modernos. Durante quase vinte anos, bordas de cores diferentes nas capas frontal e traseira indicavam a língua original da obra. Uma segunda fase gráfica adotou capas predominantemente pretas com uma ilustração colorida na frente.
Em 2002, a Penguin anunciou a reformulação de todo o catálogo de clássicos, reunindo a coleção original, chamada no setor de "Black Classics", com a antiga Penguin Twentieth-Century Classics. As capas prateadas desta última, porém, foram mantidas em grande parte dos títulos. Antes disso, a linha era chamada "Penguin Modern Classics" e usava capas verde-claras.
O novo desenho, com pintura colorida na capa, fundo preto e letras laranja, teve boa recepção. A qualidade física dos livros, porém, pareceu diminuir. As lombadas tornaram-se mais propensas a dobrar e criar vincos. Os exemplares também passaram a ser impressos em papel de celulose que não era isento de ácido e que, em algumas avaliações, amarelecia e escurecia em poucos anos.[44]
O desenho das páginas internas também foi reformulado para seguir um modelo mais padronizado. A medida acelerou a revisão e a composição, mas diminuiu as possibilidades de adaptar individualmente o projeto à estrutura ou ao período histórico de cada texto, inclusive na escolha da tipografia. Antes de 2002, a tipografia interna de cada volume da coleção Classics era supervisionada por uma equipe de designers da própria Penguin. Esse departamento foi reduzido em 2003 como parte dos cortes nos custos de produção. A equipe de design de texto ainda existe, embora seja bem menor. Entre seus trabalhos mais recentes está a série Penguin Little Black Classics, desenhada por Claire Mason.
Pelican Books
[editar | editar código]Lane ampliou a empresa em 1937 com a publicação de The Intelligent Woman's Guide to Socialism and Capitalism, de George Bernard Shaw, pelo selo Pelican Books. A coleção pretendia instruir os leitores, em vez de se dedicar ao entretenimento. Reconhecendo suas próprias limitações, Lane nomeou V. K. Krishna Menon primeiro editor responsável pelas encomendas da série.[45] Menon trabalhava com um conselho formado por Peter Chalmers Mitchell, H. L. Bales e W. E. Williams. Milhares de Pelicans foram publicados no meio século seguinte, trazendo sínteses atualizadas de muitos campos do conhecimento, com frequência escritas por autores que também produziam livros acadêmicos especializados.[46] Depois de alguns anos de declínio, a série Pelican foi encerrada em 1984.
Aircraft Recognition, S82, de R. A. Saville-Sneath, tornou-se um dos livros mais vendidos. Em 1940, o selo infantil Puffin Books começou com uma coleção de livros ilustrados de não ficção. A primeira obra infantil de ficção publicada pela marca foi Worzel Gummidge, de Barbara Euphan Todd, no ano seguinte. Outra coleção iniciada durante a guerra foi Penguin Poets. O primeiro volume, de 1941, era uma seleção dos poemas de Tennyson, D1. Entre os volumes posteriores estavam The Penguin Book of Modern American Verse, D22, de 1954, e The Penguin Book of Restoration Verse, D108, de 1968. Comic and Curious Verse, de J. M. Cohen, saiu em três volumes ao longo de alguns anos.
Pelican Books foi relançada em maio de 2014 como selo de não ficção. Em 1 de maio saíram Economics: A User's Guide, de Ha-Joon Chang, The Domesticated Brain, do psicólogo Bruce Hood, Revolutionary Russia, 1891-1991, de Orlando Figes, Human Evolution, do antropólogo Robin Dunbar, e Greek and Roman Political Ideas, de Melissa Lane.[47][48][49]
Penguin Education
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Em 1965, a Penguin entrou no mercado de publicações educacionais. Allen Lane queria levar aos livros escolares o espírito radical e popular dos Pelicans. A divisão, sua última grande iniciativa na empresa, foi montada como uma operação editorial separada de Harmondsworth e instalada em West Drayton, Middlesex. Durante seus nove anos de existência, mudou a concepção e o projeto gráfico de livros escolares e foi seguida por outras editoras.
Entre as séries de maior êxito estavam Voices e Junior Voices, Connexions e Penguin English Project. Ao lado delas, o selo deu continuidade a outro costume da Penguin com os Education Specials, livros dedicados a assuntos muitas vezes controversos dentro e fora da educação. Entre eles estavam obras ligadas a debates daquele momento, como The Hornsey Affair e Warwick University Ltd. Os livros acompanhavam a agitação estudantil do fim da década de 1960 e entraram no debate nacional sobre a finalidade do ensino superior. Outros títulos apresentavam propostas radicais sobre educação formuladas por escritores e professores dos Estados Unidos e de outros países.
Penguin Education também publicou uma extensa coleção de leituras e textos introdutórios para alunos do ensino superior, sobretudo em psicologia, economia, administração, sociologia e ciências. Para professores, ofereceu títulos como Language, the Learner and the School e The Language of Primary School Children. Depois da morte de Allen Lane em 1970 e da aquisição pela Pearson Longman no mesmo ano, a divisão abandonou os livros escolares. Foi fechada em março de 1974. Mais de oitenta professores, jornalistas especializados em educação e acadêmicos assinaram uma carta ao Times Educational Supplement lamentando o encerramento do selo.[50]
Penguin Specials
[editar | editar código]Em novembro de 1937, a Penguin iniciou uma coleção de livros curtos e de caráter polêmico sob o nome Penguin Specials, começando com Germany Puts the Clock Back, de Edgar Mowrer. A proposta era publicar análises aprofundadas de assuntos daquele momento como contraponto ao que a editora via como parcialidade dos jornais. A série também respondia à popularidade do Left Book Club, da editora Gollancz. Enquanto o Left Book Club apoiava abertamente a União Soviética, a política editorial de Lane e da Penguin não declarava preferência política. Ainda assim, a série era amplamente percebida como voltada à esquerda, pois seu editor, John Lehmann, era comunista e seus autores, com poucas exceções,[51] pertenciam à esquerda. A rapidez de produção e distribuição, medida em semanas em vez de meses, era essencial para manter os livros próximos dos acontecimentos. O texto de Genevieve Tabouis contra o apaziguamento, Blackmail or War, por exemplo, vendeu mais de 200.000 exemplares. Mesmo essa velocidade não impedia que os fatos ultrapassassem os livros. Europe and the Czechs, de Shiela Grant Duff, chegou às livrarias apenas no dia do Acordo de Munique, embora ainda tenha alcançado grande venda. Antes do começo da guerra foram publicados 35 Penguin Specials, entre eles dois romances, Good Soldier Schweik, de Jaroslav Hašek, e The Mortal Storm, de Phyllis Bottome. Muitos dos títulos mais controversos chegaram aos editoriais da imprensa e entraram no debate público.
Depois de uma interrupção entre 1945 e 1949, Penguin Specials voltou no pós-guerra, primeiro sob a edição de Tom Maschler e, depois de 1961, de Tony Godwin. O primeiro volume da coleção retomada foi The Case for Communism, de William Gallacher.[52] Antes da eleição de 1964, Godwin iniciou a série de Specials "What's Wrong with Britain", que abriu espaço para a análise cultural da Nova Esquerda ligada ao radicalismo político dos anos 1960. Em 1964, a Penguin Books forneceu parte dos recursos usados para criar o Centre for Contemporary Cultural Studies de Richard Hoggart e Stuart Hall na Universidade de Birmingham.[53] Essa fase de retomada dos Specials perdeu força depois da saída de Godwin em 1967. Com o crescimento do jornalismo televisivo, a coleção teve circulação cada vez menor nas décadas de 1970 e 1980. O último Special foi Under Siege: Racism and Violence in Britain Today, de Keith Thompson, publicado em 1988.
Em dezembro de 2011, a Penguin lançou nove títulos como "Penguin Shorts",[54] usando as conhecidas capas de três faixas. Eram novelas, obras curtas de ficção e memórias. Em 2012, passaram a ser chamados Penguin Specials depois de um acordo com The Economist, firmado em março daquele ano.[55] Os livros retomaram o jornalismo de assuntos imediatos que caracterizava os Specials originais. As edições publicadas em 2012 e 2013 continuaram a reunir ficção, entre elas as obras finalistas do Monash Undergraduate Prize de 2012, e jornalismo.[56] Coletâneas de colunas de críticos culturais também fizeram parte da coleção.[57]
Puffin
[editar | editar código]Noel Carrington, editor da revista Country Life, apresentou a Lane em 1938 a ideia de publicar livros infantis ilustrados de não ficção a preços baixos. Carrington tomou como referência os livros das Editions Père Castor ilustrados por Rojan e a técnica de autolitografia usada nos cartazes da época. A Penguin adotou a proposta, que se tornou a série Puffin Picture Book, em 1940. Para Lane, crianças retiradas das cidades por causa da guerra precisariam de livros sobre agricultura e história natural para se adaptar ao campo.[58] Os quatro primeiros títulos saíram em dezembro de 1940, War on Land, War at Sea, War in the Air e On the Farm. Outros nove vieram no ano seguinte. Embora Lane pretendesse lançar doze por ano, a falta de papel e de pessoal limitou os primeiros dois anos a treze volumes. Os 120 títulos dos Picture Books resultaram em 260 variantes. O último, número 116, Life Histories, de Paxton Chadwick, foi publicado fora da série em 1996 pela Penguin Collectors' Society.
Ficção infantil barata em formato de bolso não existia quando a Penguin decidiu entrar nesse mercado. Eleanor Graham foi nomeada em 1941 primeira editora da série Puffin Story Books,[59] trabalho dificultado pela resistência de editores e bibliotecários em liberar os direitos de livros infantis. Os cinco primeiros títulos, Worzel Gummidge, Cornish Adventure, The Cuckoo Clock, Garram the Hunter e Smokey, saíram com as três faixas horizontais usadas pelo restante da produção da Penguin. A solução foi abandonada depois do nono volume, quando surgiram capas ilustradas coloridas impressas até as bordas. A mudança deu à série Puffin muito mais liberdade gráfica que a encontrada nos outros livros da Penguin.
Graham se aposentou em 1961 e foi substituída por Kaye Webb, que dirigiu o departamento durante dezoito anos, em uma fase de concorrência crescente no mercado infantil e de técnicas mais sofisticadas de produção e marketing. Entre suas iniciativas esteve a criação do Puffin Club em 1967 e da revista trimestral Puffin Post, que chegou a 200.000 integrantes em seu auge. Durante sua gestão, o catálogo da Puffin passou a publicar Roald Dahl e Ursula K. Le Guin, além de Arthur Ransome, e criou a série Peacock de ficção para adolescentes.
Tony Lacey assumiu o cargo editorial de Webb em 1979 a convite do diretor-geral da Penguin, Peter Mayer,[60] quando a Puffin era uma das poucas divisões lucrativas de uma empresa que atravessava dificuldades. Acompanhando a política de Mayer de comercializar mais intensamente a marca Penguin, Lacey reduziu o número de selos Puffin, reuniu títulos populares sob o nome Puffin Classics e iniciou a série interativa de livros-jogo Fighting Fantasy.[61] Paralelamente ao Puffin Club, o Puffin School Book Club, dirigido especificamente a escolas e organizações, cresceu nesse período. Em 1983, um de cada três livros Penguin vendidos era um Puffin.[61]
The Buildings of England
[editar | editar código]Nikolaus Pevsner propôs antes da guerra à Cambridge University Press e à Routledge uma coleção de dez ou mais volumes que examinaria, condado por condado, os monumentos da Inglaterra. Por motivos diferentes, nenhum dos projetos avançou.[62] Seu trabalho com a Penguin permitiu que fizesse proposta semelhante a Allen Lane, que a aceitou. Para Pevsner, The Buildings of England preencheria uma lacuna no mercado editorial inglês, que não dispunha de levantamentos nacionais em muitos volumes comparáveis aos existentes na Europa continental. Uma referência era o Handbuch der deutschen Kunstdenkmaler, de Georg Dehio, inventário topográfico de edifícios alemães publicado em cinco volumes entre 1905 e 1912.[63] Pevsner queria ensinar ao público aspectos da arquitetura inglesa, mas havia também uma necessidade comercial imediata, concorrer com os Shell Guides editados por John Betjeman, dos quais treze volumes tinham sido publicados até 1939.[64]
Com a aprovação de Lane em 1945, Pevsner começou o trabalho percorrendo pessoalmente cada condado estudado e usando anotações preparadas por pesquisadores. O primeiro volume, Cornwall, saiu em 1951. Entre esse ano e 1974 foram publicados 46 guias arquitetônicos. Pevsner escreveu 32 sozinho e outros dez com colaboradores. Já em 1954, a coleção enfrentava problemas financeiros e precisava de patrocínio. Um subsídio da Leverhulme Trust, somado a outras fontes,[65] permitiu concluí-la. A coleção prosseguiu depois da morte de Pevsner em 1983, financiada em parte pelo Pevsner Books Trust e publicada pela Yale University Press.
A abordagem de Pevsner partia da Kunstgeschichte, diferente do interesse antiquário pela história local e familiar frequente nas histórias dos condados ingleses. Por isso, há poucas menções a placas memoriais de latão, sinos, rendilhados ou à relação entre edifícios e seu entorno.[66] Há também pouca discussão de técnicas de construção, arquitetura industrial ou edifícios em Art déco. Seus críticos afirmaram que essas ausências fizeram com que tais temas recebessem atenção menor.[67] A síntese de Pevsner levou uma abordagem rigorosa da história da arquitetura a muitos leitores e ampliou especialmente a atenção dedicada à arquitetura da era vitoriana.
Publicação de revistas
[editar | editar código]O racionamento de papel durante a guerra, embora garantisse uma cota favorável à Penguin, também reduziu o espaço disponível nos jornais para resenhas de livros e publicidade. Parte das revistas literárias encerrou suas atividades, abrindo uma lacuna que Lane tentou ocupar. Em janeiro de 1941 saiu o primeiro número de Penguin New Writing. A tiragem vendeu 80.000 exemplares, contra 3.500 da primeira edição de Horizon, de Cyril Connolly, seu concorrente mais próximo. O editor de Penguin New Writing, John Lehmann, apresentou aos leitores britânicos autores então novos, entre eles Lawrence Durrell, Saul Bellow e James Michie. Apesar das boas vendas e da recepção crítica, novos cortes de papel e, depois de 1945, a redução das vendas fizeram a revista passar de mensal a trimestral. Ela encerrou as atividades no outono de 1950, depois de quarenta números.
New Writing foi o periódico mais duradouro da Penguin, mas não sua única experiência com revistas. Russian Review, Penguin Hansard e Transatlantic começaram durante a guerra. Depois de 1945 vieram Penguin Film Review, Penguin Music Magazine, New Biology, publicada entre 1945 e 1960, Penguin Parade, Penguin Science Survey e Penguin Science News, todas de duração curta.
Na década de 2020, a publicação The Happy Reader[68] era vendida na Europa.[69]
Penguin Press
[editar | editar código]Penguin Press, criada por Ann Godoff, começou a publicar em 2003. O selo se dedica à não ficção e à ficção literária. Seus livros receberam quatro prêmios do National Book Critics Circle, um National Book Award e cinco prêmios Pulitzer, o mais recente em 2016.[70][71]
Penguin-Companhia
[editar | editar código]Em julho de 2010, a Penguin e a Companhia das Letras lançaram no Brasil o selo Penguin-Companhia, voltado à publicação de clássicos universais e brasileiros.[72]
Popular Penguins
[editar | editar código]A subsidiária australiana da Penguin lançou a série Popular Penguins no fim de 2008. A coleção possui seu próprio site.[73] A intenção inicial era publicar cinquenta títulos, muitos repetidos da coleção Penguin Celebrations. O número caiu para 49 quando um dos cinquenta, Hegemony or Survival, de Noam Chomsky,[74] precisou ser retirado depois do lançamento porque a Penguin descobriu que já não possuía os direitos da obra.
Popular Penguins foi apresentada como um retorno à ideia original de Lane, bons livros por preços acessíveis. Cada volume foi lançado a A$ 9,95, menos da metade do preço médio de um romance em brochura na Austrália naquele período.
O projeto gráfico procura reproduzir a chamada Penguin Grid de maneira mais próxima aos livros antigos do que a série Celebrations. Os volumes têm dimensões compatíveis com um Penguin original da época da grade e usam tipos desenhados por Eric Gill em uma aproximação ao trabalho de "arrumação" feito por Jan Tschichold sobre a capa original de três painéis criada por Edward Young. As capas são impressas em cartão com aparência e textura semelhantes às edições Penguin das décadas de 1940 e 1950. Há, porém, uma diferença: todos os Popular Penguins usam o laranja da Penguin, sem o código de cores empregado nas capas antigas e nos títulos da série Celebrations.
Em julho de 2009, outros cinquenta Popular Penguins chegaram aos mercados da Austrália e da Nova Zelândia.[75] Mais dez títulos de autores neozelandeses foram lançados em março de 2010.[76] Em julho daquele ano, outros 75 títulos saíram na Austrália para os 75 anos da Penguin.[77]
King Penguin Books
[editar | editar código]King Penguin Books foi uma série de monografias em tamanho de bolso publicada pela Penguin Books entre 1939 e 1959. Inspirava-se na coleção Insel-Bücherei, publicada na Alemanha pela Insel Verlag a partir de 1912.[78] Os volumes abriram dois caminhos novos para a Penguin: foram seus primeiros livros de capa dura e os primeiros impressos em cores.[79]
No início, os livros combinavam uma série clássica de pranchas coloridas com um texto especializado. Os dois primeiros volumes traziam dezesseis pranchas de The Birds of Great Britain, de John Gould, publicado em 1873, acompanhadas de introdução histórica e comentários de Phyllis Barclay-Smith, e dezesseis pranchas de Roses, de Pierre-Joseph Redouté, publicado entre 1817 e 1824, com introdução histórica e comentários de John Ramsbottom. O terceiro volume iniciou uma alternativa, reunindo pranchas coloridas provenientes de fontes diferentes.
Alguns volumes, como Leaves of Southwell, de Nikolaus Pevsner, de 1945, e Tulipomania, de Wilfrid Blunt, de 1950, apresentavam trabalhos de pesquisa originais. Outros, como The Bayeux Tapestry, de Eric Maclagan, de 1943, Ur: The First Phases, de Leonard Woolley, de 1946, e Russian Icons, de David Talbot Rice, de 1947, condensavam trabalhos anteriores dos próprios especialistas. Alguns livros receberam edições revistas, entre eles A Book of English Clocks, de R. W. Symonds, publicado em 1947 e 1950.
Elizabeth Senior editou a série até 1941. Nikolaus Pevsner assumiu depois dela e permaneceu como editor até o encerramento. Ao todo, foram publicados 76 volumes.[80]
O selo King Penguin foi retomado brevemente em 1981 para uma série de obras de autores daquele período, sobretudo ficção.[81]
Pelican History of Art
[editar | editar código]Allen Lane procurou Nikolaus Pevsner em 1945 para criar uma coleção de livros ilustrados que pudesse repetir o resultado comercial dos King Penguins. Pevsner relembrou sua resposta: "Allen disse: 'Você fez os King Penguins e vamos continuar com eles, mas, se pudesse escolher, o que mais faria?' Eu tinha minha resposta pronta, e ela era formidável, porque esbocei ali mesmo a Pelican History of Art e The Buildings of England, cada uma com cerca de quarenta a cinquenta volumes. Allen disse: 'Sim, podemos fazer as duas', e assim terminou a reunião."[82]
Pevsner avançou rapidamente. Em 1946 já haviam sido assinados contratos para Architecture in Britain, de John Summerson, Art and Architecture in France, de Anthony Blunt, e Italian Art and Architecture, de Rudolf Wittkower. O primeiro título efetivamente publicado, Painting in Britain, 1530-1790, de Ellis Waterhouse, saiu em 1953. Em 1955, Pevsner preparou um prospecto anunciando quatro novos volumes e um plano para completar a coleção com 47 títulos. A escala pretendida ultrapassava histórias da arte em muitos volumes que já existiam, entre elas Histoire de l'art, de André Michel, com dezessete volumes publicados entre 1905 e 1928, e Propyläen Kunstgeschichte, com 25 volumes entre 1923 e 1935. Quando Pevsner deixou a edição, em 1977, 41 volumes haviam saído. Judy Nairn, que fora sua assistente editorial em The Buildings of England, e o medievalista Peter Lasko deram continuidade ao trabalho. A Yale University Press adquiriu a coleção em 1992, quando 45 títulos estavam concluídos. Até 2004, havia publicado 21 volumes, em sua maioria revisões de edições anteriores.[83] Novos volumes e novas edições de títulos antigos ainda eram produzidos na década de 2010.[84]
Para a Penguin, a coleção se afastava de sua principal atividade comercial, os livros de bolso. As histórias da arte foram os primeiros livros ilustrados, de capa dura e em formato grande produzidos pela editora.[85] Apesar do preço relativamente alto, deram retorno financeiro. Pevsner, porém, as concebeu principalmente como textos para estudantes de pós-graduação de história da arte, disciplina acadêmica que ainda se estruturava no mundo de língua inglesa.[86]
A coleção recebeu críticas dentro das universidades por seus vieses. Muitos autores eram emigrados alemães, o que levou a uma preferência metodológica pela Kunstwissenschaft praticada em Viena e Berlim no período entre guerras. Esse formalismo deixava de lado o contexto social da arte.[87] Alguns críticos também achavam desproporcional o espaço reservado a certos temas. Sete dos 47 volumes foram destinados à arte inglesa, "um afluente da corrente europeia principal", nas palavras da Burlington Magazine.[88] O plano de 1955 nunca foi executado por inteiro. Os volumes sobre pintura e escultura gregas, pintura do Quattrocento e escultura do século XVI não foram escritos. Mesmo incompleta, Pelican History of Art tornou-se uma das obras de maior extensão já publicadas sobre a arte mundial.[89]
Penguin on Wheels
[editar | editar código]Penguin on Wheels é uma livraria móvel lançada pela Penguin Books India em colaboração com Satabdi Mishra e Akshaya Rautaray.[90]
Ver também
[editar | editar código]- Penguin Random House, empresa-mãe da Penguin Books desde 2013
- Companhia das Letras, grupo editorial brasileiro que publica o selo Penguin-Companhia
- Random House, editora cuja fusão com o Penguin Group criou a Penguin Random House
- Livro de bolso, formato editorial usado na expansão inicial da Penguin
Referências
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- ↑ «CEO Markus Dohle Announces Penguin Random House Global Leadership Team». Penguin Random House. 1 de julho de 2013
- ↑ Os irmãos de Allen, Richard e John, foram cofundadores e acionistas, embora Allen fosse a figura dominante da empresa. John morreu em serviço em 1942 e Richard vendeu sua participação a Allen antes de a companhia abrir seu capital em 1961. The Penguin Companion, pp. 80-81, Penguin Collectors' Society, 2006.
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- ↑ Mark Sweney, "Penguin and Random House merger to create biggest book publisher ever seen", The Guardian, 29 de outubro de 2012.
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- ↑ Lewis, Penguin Special, 2005, cap. 5, par. 30.
- ↑ «The launch of Penguin Books and the role of F. W. Woolworth». The Woolworths Museum
- ↑ Baines, Penguin by Design, 2005, p. 76. Editados por Pevsner, os volumes foram "concebidos para agradar ao gosto geral por objetos de recordação", Susie Harries, Nikolaus Pevsner: The Life, p. 321, e tomavam como modelo os livros de arte da Insel-Verlag.
- ↑ «Obituary: Eunice Frost». The Independent. 18 de agosto de 1998. Consultado em 22 de outubro de 2020. Cópia arquivada em 25 de maio de 2022. (pede subscrição (ajuda))
- ↑ Lewis, Penguin Special, 2005, cap. 11, par. 12.
- ↑ Lewis, Penguin Special, 2005, cap. 8, par. 1.
- ↑ Lewis, Penguin Special, 2005, cap. 8, par. 8, cita George Orwell: "Um fenômeno da guerra foi a enorme venda de livros Penguin, livros Pelican e outros títulos baratos, a maioria dos quais teria sido considerada de um intelectualismo impossível poucos anos atrás."
- ↑ Lewis, Penguin Special, 2005, cap. 8, par. 5.
- ↑ Wood, A Sort of Dignified Flippancy, 1983, p. 23.
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- ↑ John Shearman recebeu cedo a encomenda do volume sobre pintura do Quattrocento. Embora tenha feito muito trabalho, não conseguiu acompanhar o volume crescente de novas pesquisas e nunca entregou o manuscrito.
- ↑ Shakula, Vandana (22 de maio de 2016). «Beauty of life in books». The Tribune. Cópia arquivada em 17 de junho de 2016
Leitura adicional
[editar | editar código]- Aynsley, J. e Lloyd Jones, L. (1985). Fifty Penguin Years. ISBN 978-0-14-008589-1.
- Baines, Phil (2007). Penguin by Design: a Cover Story 1935-2005. Londres: Allen Lane. ISBN 978-0-7139-9839-9. Publicado para acompanhar a exposição "Penguin by Design", realizada no Victoria and Albert Museum entre 8 de junho e 13 de novembro de 2005.
- Baines, Phil (2010). Puffin by Design: 70 years of imagination 1940-2010. Londres: Allen Lane.
- Penguin by Illustrators.
- Cherry, B. (1983). The Buildings of England: A short History and Bibliography. Londres: Penguin Collectors Society.
- Cinamon, Gerald (1987). "Hans Schmoller, Typographer". The Monotype Recorder, nova série, 6 de abril de 1987.
- Graham, Tim (2023). A.S.B. Glover: The Unacknowledged Genius of Penguin. Reino Unido: Penguin Collectors Society. OCLC 1414645236
- Graham, Tim (2003). Penguin in Print - a Bibliography. Penguin Collectors Society.
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- Hare, Steve (1995). Penguin Portrait: Allen Lane and the Penguin Editors, 1935-1970. Londres: Penguin Books.
- Joicey, Nicholas (1993). "A Paperback Guide to Progress: Penguin Books 1935-c.1951". Twentieth Century British History, vol. 4, n.º 1, pp. 25-56.
- Kells, Stuart (2015). Penguin and the Lane Brothers: The Untold Story of a Publishing Revolution. Melbourne: Black Inc.
- Krishnan, Sairam (21 de novembro de 2015). «How a young man from Calicut became the publisher who helped change British thinking». Scroll.in. Consultado em 22 de outubro de 2020
- Lewis, Jeremy (2005). Penguin Special: Life and Times of Allen Lane. ISBN 978-0-670-91485-2.
- Morpurgo, J. E. (1979). Allen Lane: King Penguin. Londres: Hutchinson.
- Edwards, R. (1997). A Penguin Collector's Companion. Londres: Penguin Collectors Society.
- Holland, S. (1993). Mushroom Jungle: A History of Postwar Paperback Publishing. Westbury.
- Pearson, J. (1996). Penguins March On: Books for the Forces During World War II. Londres: Penguin Collectors Society.
- Lane, A., Fowler, D. et al. (1960). Penguins Progress, 1935-1960. Harmondsworth.
- Rylance, Rick (2005). "Reading with a Mission: The Public Sphere of Penguin Books". The Critical Quarterly, 47, n.º 4, pp. 48-66.
- Ten Years of Penguins: 1935-1945. Harmondsworth.
- Williams, W. E. (1956). The Penguin Story. Harmondsworth.
- Wood, S. (1985). A Sort of Dignified Flippancy. Edinburgh University Library.
- Williams, Richard (1999). The First Thousand Penguins.
Ligações externas
[editar | editar código]Sites oficiais
Outros
- Penguin Archive, coleção especial da biblioteca da Universidade de Bristol
- Penguin Archive Project, Universidade de Bristol
- King Penguin Book Series
- The Art of Penguin Science Fiction, história e arte de capa da ficção científica publicada pela Penguin Books desde 1935
- Penguin First Editions, guia das primeiras edições publicadas pela Penguin Books entre 1935 e 1955
- Capas de livros da Penguin
- Penguin Cerise Travel, dedicado à antiga série "Travel and Adventure" da Penguin Books
- Foley Collection, artigos e listas
- History of the Penguin Archive, de Toby Clements, The Telegraph, 19 de fevereiro de 2009
- Penguin Books no Open Library
